quarta-feira, 30 de março de 2011

PRIMEIRO PASSO FRUSTRADO

Há cerca de 2 ou 3 anos venho fazendo disciplinas de mestrado.
No último processo seletivo fui aprovada mas não havia vagas suficientes.
Entrar no mestrado deixou de ser um projeto meu e virou um projeto nosso.

Eu estava lendo o edital do processo seletivo desse ano quando meu telefone tocou pra anunciar o falecimento do Gê.
Desisti do mestrado.

Na missa de 7º dia uma pessoa me disse pra eu não desistir dos meus sonhos, apenas adiá-los.
Me disse também que o Germano queria muito que eu fizesse esse mestrado.

Resolvi reler meu projeto e fazer as alterações necessárias pro processo seletivo desse ano.
Resolvi também voltar a frequentar as aulas que já começaram há 2 semanas.

Hoje tomei coragem e fui pra aula.
Logo na portaria encontrei um professor cujas aulas o Germano frequentava.
Ele ainda não sabia de nada.

Ele perdeu a fala.
Eu perdi a coragem de entrar em sala.

CRISE DE IDENTIDADE

Ontem fiquei assistindo a final do BBB 11 e me lembrei que o Germano detestava esses reality shows.
Me lembrei também que ele detestava o Jota Quest e não comia beterraba.

A beterraba nada tem a ver com o Jota Quest ou o BBB, são apenas 3 coisas que eu sei que ele não gostava.
Engraçado como eu também passei a ter certa antipatia do Jota Quest e me dei conta que muito embora adorasse beterraba não me lembro de ter comprado uma unidade sequer desde que nos casamos.

Foi ai que percebi que as nossas identidades foram tão unificadas que se confundem.
Eu já não sei mais do que eu gosto ou do que ele gostava.
Éramos quase um só e assim como eu não me importava de deixar de comer beterraba ele assistia a TV no outro quarto ou ia dormir enquanto eu via o BBB.

Compramos uma nova TV por causa do seu vício pelo futebol e hoje tenho televisões sobrando em casa.
Engraçado como a morte mexe com a gente, muda nosso comportamento, nossos valores.
Deixa um vazio irreparável e por mais que a gente queira morrer junto a gente sabe que precisa viver porque quem se foi quer nos ver bem.

Eu sei que preciso ficar bem.
Só não sei ainda por onde começar.
Talvez eu compre beterraba...

terça-feira, 29 de março de 2011

FELICIDADE

Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora


A minha casa fica lá de traz do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
mas como é que a gente voa quando começa a pensar

(...)

É assim que me sinto, como se tivesse sido abandonada pela felicidade, tendo me restado no peito apenas a saudade.
Acho que nunca mais vou ser feliz como fui.
Ao contrário do jargão: "Eu era feliz e não sabia", eu sempre soube!
E o pensamento de fato parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar... 

segunda-feira, 28 de março de 2011

CRUEL, MUITO CRUEL

Há algum tempo eu vinha questionando a existência de Deus, não acreditava muito nessa figura humana de perfeição.
Sei lá em que ou em quem eu estava crendo, a verdade é que eu não estava precisando de acreditar em nada.

Hoje não durmo uma noite sem antes rezar e pedir muito pra que eu consiga superar essa fase, carregar esse fardo e não enlouquecer ou desistir de lutar.
Continuo sem saber se Deus existe mas me brotou uma fé que eu mal posso explicar.

Na continuidade da vida após a morte eu sempre acreditei, ainda mais agora que isso é o que mais me conforta.
Só acho muito cruel as pessoas partirem e continuarem a nos ver sem que possam ser vistas, nos sentirem e talvez até nos tocarem, mas não poderem ser retribuídas.

É confortante ter certeza de que a vida continua em um outro lugar mas ao mesmo tempo é cruel não poder estar lá, não saber quando vamos nos reencontrar.
Entender não é o mais difícil, difícil mesmo é aceitar, superar, deixar de sofrer.

As pessoas teimam em dizer que o tempo cura.
Esquecem de dizer que o tempo também apaga as lembranças e traz a tona a saudade.

O tempo é implacável.
O mesmo tempo que cura a ferida também deixa as cores das alegrias menos vívidas.

O tempo é cruel.
Ao passo que cura a dor da perda abre a ferida da saudade e essa ainda não tem cura.

A saudade é como um câncer em metástase, se alastra por todo o corpo até que começa a ficar insuportável e mata um pouco da gente.
Sinto como se um pedaço de mim já não reagisse mais.

Cruel, é tudo muito cruel.
 

quarta-feira, 23 de março de 2011

SENTIMENTO ESTRANHO

Todos os dias fico tentando entender o que se passou comigo.
Por vezes acho que é só um sonho e que a vida vai voltar ao normal.
Outras vezes sinto como se tivesse completamente perdida num lugar desconhecido e sempre que encontro a saída, pufff, ela desaparece.

Como num passe de mágica vou do céu ao inferno.
E no meio desses meus devaneios, procurando por um email qualquer, acabei encontrando um especial.

Continha uma poesia.
É que no começo do nosso relacionamento o Germano costumava me mandar poesias. Algums escritas por ele, outras não.

Essa que deixo aqui não foi escrita por ele mas reflete o que hoje todos nós percebemos.
Que ele viveu intensamente porque acreditava na intensidade da vida...


Não Sei
(Cora Coralina)


Não sei... se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,
verdadeira, pura...
Enquanto durar"

Ps.: E é isso que guardo de vc, intensidade, beijocas, germano.

segunda-feira, 21 de março de 2011

INVEJA BOA

Vejo crianças brincando nas praças, casais jovens apanhando pra aprender a criar seus filhos.

Sinto uma ponta de inveja, não daquelas negativas que as pessoas torcem pelo fracasso das outras.

É apenas um forte desejo de que eu pudesse ser como elas.
Desejo de ter minha família completa, de poder dividir com o Germano as alegrias e preocupações.

Desejo de tê-lo visto realizar o sonho de ser pai.
Desejo de voltar a sorrir.
Desejo de mantê-lo perto de mim.


domingo, 20 de março de 2011

SEM PALAVRAS

Acho que esse texto caberia direitinho na boca do Germano.
Parece que foi escrito por ele...
Hoje é um dia muito triste pra mim, portanto prefiro me manter em silêncio e apenas compartilhar esse texto.


SE EU MORRER ANTES DE VOCÊ

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor:
Chore o quanto quiser, mas não brigue comigo.
Se não quiser chorar, não chore;
Se não conseguir chorar, não se preocupe;
Se tiver vontade de rir, ria;
Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão;
Se me elogiarem demais, corrija o exagero.
Se me criticarem demais, defenda-me;
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam;
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo...
E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase:
-"Foi meu amigo, acreditou em mim e sempre me quis por perto!"
Aí, então derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal.
Outros amigos farão isso no meu lugar.
Gostaria de dizer para você que viva como quem sabe que vai morrer um dia, e que morra como quem soube viver direito.
Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo.
Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu.
"Ser seu amigo, já é um pedaço dele..."

quinta-feira, 17 de março de 2011

FELIZ ANIVERSÁRIO

Hoje meu filhote fez 2 meses.
Não foi tão difícil quanto mês passado, mas ainda não me sinto a vontade pra comemorar.

Aliás, quando é que terei de fato vontade de comemorar???
Ainda não sei...
Aos poucos as coisas vão tomando seu lugar.
Já começo a pensar em voltar a trabalhar mas me dói pensar que não vou poder me dedicar ao Nuno integralmente.

Me assusta deixá-lo em casa, colocá-lo num berçário, ter que ser a mulher e o homem da casa.
Pior de tudo é saber que todas as decisões serão minhas e só minhas.
Seremos apenas nós dois...
Já somos apenas nós dois...

É tudo ainda tão estranho e todos os dias um filme se passa na minha cabeça.
Acho que a vontade de chorar até diminuiu.
Talvez tenham secado as lágrimas ou talvez eu tenha apenas percebido que não adianta mais chorar.

É preciso enfrentar a realidade.
É preciso andar pra frente.
É preciso viver.
É preciso saber viver.

Saber viver uma nova vida que eu não escolhi, que eu não planejei, que eu mal reconheço.
É como reaprender a andar.
Uma constante fisioterapia da alma, que a cada dia experimenta um exercício novo.

Os progressos são pequenos, lentos, às vezes quase imperceptíveis.
Entretanto, a eles tenho que me agarrar porque senão volto a precisar de muletas.

Hoje já consigo dizer: parabéns filhote!
Mamãe e papai amam você!

terça-feira, 15 de março de 2011

O DIA DO INVENTÁRIO

Não tem me sobrado muito tempo pra escrever.
Feliz ou infelizmente a vida continua e a rotina nos ocupa mais até do que desejamos.
São prazos, vacinas, consultas médicas, burocracias e o tal do inventário.

Pois é, eu que sou advogada escolhi uma área bem distante do tal inventário, mas volta e meia ele bate à minha porta.
Não bastasse o do meu pai que já poderia virar uma novela, agora tem o do Germano.

Foi talvez a sensação mais estranha que eu tenha vivido.
Receber uma publicação onde nem eu nem o Gê somos procuradores.
Somos agora parte, parte de um todo que já deixou de ser todo e ficou mesmo só a parte.
Muito estranho vê-lo sendo chamado de "de cujus".
E o Nuno? Tão jovem e já figura nos autos do processo.

Coisas que eu tenho que aprender a conviver.
Uma realidade que eu não queria ter.
Uma nova vida que ainda não sei explicar.
Uma profissão que nesse momento nem fazia questão de exercer.

domingo, 13 de março de 2011

INEVITÁVEL

A grande dificuldade de lidar com a morte é o fato de sabermos que ela existe, que é a única certeza que temos mas que ao mesmo tempo não queremos que aconteça perto da gente e que não atinja quem amamos.

Inveitável.
Sofrer pela perda de alguém é inevitável.
Voltar a viver também é.

Desde que o Germano partiu tenho plena consciência de que preciso voltar a viver, só ainda não tive coragem o suficiente pra fazer isso acontecer.
Confesso que às vezes nem quero que aconteça e que me manteria em estado de inércia se pudesse.

Dizer que a dor passou ou que diminuiu é uma grande mentira.
Não passa, não diminui, definitivamente não melhora.
A cada dia tenho mais e mais saudade.
Olho pro Nuno, para as suas risadinhas, para as suas pequenas descobertas e pergunto: Gê, por que você fez isso com a gente? Por que não está mais aqui pra dividir essas alegrias comigo?

Eu sei que se ele pudesse teria ficado, sei que jamais me abandonaria.
Sei também que a vida tem dessas coisas e que o tempo me ajudará.
Tem dias que a gente até fica um pouco mais otimista, mas eu também sei que vai ficar sempre um buraco, vai estar sempre faltando alguém.

Alguém que eu amo de uma forma tão sublime.
Alguém que mudou a minha vida.
Alguém que me deu um filho e me ensinou a ser um ser humano melhor.
Alguém que eu quero encontrar novamente.

quarta-feira, 9 de março de 2011

LEMBRANÇAS


Só hoje tive coragem de abrir o CD com as fotos que o Germano tirou na sua viagem ao Uruguai com Gaudio.
Muito embora a viagem tenha sido em Outubro de 2010 eu nunca havia visto essas fotos e vídeos, primeiro porque o Germano esqueceu de me dizer que os tinha e segundo porque quando eu finalmente soube da sua existência roubaram nosso note book com o CD dentro.

O Gaudio me deu um novo CD no dia do enterro e até então eu não tinha conseguido abrir, me faltava coragem.

Hoje me bateu uma saudade imensa e eu precisava ouvir sua voz.
Precisava ouvir sua risada porque eu já não consigo reproduzí-la sozinha.

Essa foi a última viagem que o Gê fez e ele foi sem mim porque eu já estava no 7o mês de gravidez.

Pela primeira vez tiramos férias em épocas distintas, eu fui pra NY fazer o enxoval do nosso baby em agosto e o Germano foi pro Uruguai em outubro.
Tudo planejado pra que daí pra frente ficássemos por conta do Nuno.

Foi muito bom e também muito triste ver esses vídeos e fotos.

Bom ver que vc se lembrou tantas vezes de mim, bom ver a sua alegria, a sua vitalidade, melhor ainda foi ouvir sua voz, sua risada.
Triste saber que você não vai me levrar pro Uruguai como tinha prometido, triste não tê-lo por perto pra rir pra nós, triste pensar que minha vida só tinha sentido ao lado da sua e que o Nuno só te conhecerá através desses vídeos que você tinha mania de fazer.

Ainda bem que você era teimoso e quanto mais eu reclamava, mais vídeos você fazia.
Hoje eles são um presente pra mim e pro Nuno, são meu conforto, minha forma de matar as saudades.



Eu sei que você já não pode me responder mas queria tanto te perguntar se você está bem, se você consegue me explicar o que está acontecendo...

Eu me sinto tão sozinha, tão sem lugar...
Com você a vida era uma brincadeira, era um prazer viver ao seu lado...
Hoje meus dias são iguais e não fosse o filho lindo que você me deixou acho que não teria motivos pra prosseguir.

Hoje vivo em função dele, não penso mais em mim.
Mais uma vez tenho que concordar com você que sempre dizia que ter um filho era o ato menos egoísta que havia.
Verdade, por alguma razão sinto que doamos nossa vida a ele, você fisicamente e eu de uma forma que ainda não sei explicar.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O CARNAVAL

Esse está sendo meu primeiro Carnaval sozinha.
O primeiro Carnaval que eu e o Gê passaríamos em casa, quietinhos, cuidando do Nuno.

Sabe que desde que nos conhecemos, aliás, desde que passamos nosso primeiro Carnaval juntos em Alvinópolis, isso em 2005, combinamos que cada ano um de nós iria escolher o destino do feriadão e no ano seguinte fomos pra Salvador porque era meu ano de decidir.

Nós estávamos noivos, o Germano acabava de ter Hepatite e fomos pra Salvador na garra. Ele magricelo, sem poder beber, odiando música baiana e com pânico de multidões, enfrentou tudo só pra poder me agradar.
Fomos os 3 dias no chão atrás do trio elétrico e no fim das contas ele já com os pés inchados cantava: "vamos dar a volta no trio!"

Na quarta-feira de cinzas partimos pra morro de São Paulo. Foi sensacional a nossa viagem, inesquecível.

Claro que no ano seguinte passamos o Carnaval na fazenda que era onde ele gostava de ir nos anos que era ele quem escolhia.

Não sei como mas eu consegui mais uma vez arrastá-lo pra Salvador e em 2008 lá estávamos nós de novo, eu, ele, Ana Paula e Felipe, o quarteto mais animado da Bahia.

Esse ano, sem hepatite, ele pôde beber e já admitia com mais facilidade que a festa era boa!!!

No ano seguinte, Rio de Janeiro, o Mássimo estava no Brasil. Foi a maior farra acompanhar os blocos na zona sul e terminar nossas noites no Rio Scenarium que era sempre pequeno demais pro tamanho da nossa alegria.

Sempre fomos um casal muito alegre e por mais que a gente brigasse nada abalava o que sentíamos.

No começo do nosso relacionamento o Germano era ciumento mas com o tempo fomos conquistando a confiança um do outro e depois de ter passado por 2 carnavais em Salvador, éramos a prova viva de que ninguém poderia nos separar.

Foi tudo tão bom, tão perfeito.
Eu que achava que já tínhamos passado tantas coisas juntos hoje percebo que tivemos apenas uma pequena amostra.

De certo, o tempo que tivemos foi muito bem aproveitado, não perdemos tempo desgastando nossa convivência mas sim curtindo muito, sendo felizes.
E como fomos felizes!
Aliás esse era o dom do Germano, trazer felicidade pra vida da gente, nos mostrar que a vida é difícil mas que a gente tira de letra.

Que saudade meu amor.
A sua ausência ainda me dói tanto...
Fico perguntando a Deus porque fizeram isso com a gente.
Queria muito poder passar o resto dos meus carnavais com você.

quarta-feira, 2 de março de 2011

ATÉ QUANDO?

Começou a chover e de repente me dei conta que estamos em Março.
Nem sei como cheguei até aqui porque sinto como se minha vida tivesse parado lá no dia 19 de Janeiro quando eu ainda deixava a maternidade.

O mês de fevereiro passou e eu nem percebi.
Meu pequeno já com quase 2 meses de vida e eu ainda completamente perdida e sem chão.
(desculpa meu filho, espero poder te recompensar, você não tem culpa das minhas fraquezas)

Diariamente alguém me diz que isso vai passar, que eu vou retomar minha vida, que vou voltar a ser feliz.
Por que não consigo acreditar?
Tento mas não vejo a luz que dizem ter no fim do túnel.
Não consigo desviar meus pensamentos, mal consigo conter as lágrimas.

Até quando vai ser assim?
Até quando vai doer desse jeito?

Eu sei que preciso superar, que preciso acreditar que vai passar.
Sei também que o Germano quer me ver feliz, quer que eu seja forte pra cuidar do Nuno mas eu ainda não tô sabendo lidar com essa nova situação.

Tantas perguntas ainda sem respostas.
Tantas outras respostas que não me convencem.

Como tem sido difícil!

terça-feira, 1 de março de 2011

O DIA A DIA

Nos últimos 2 dias me faltaram forças pra levantar da cama.
Achei que isso já tinha passado mas não, ainda é muito difícil enfrentar as manhãs e me convencer a seguir em frente.
A vida perdeu um pouco o sentido e coisas banais se transformaram em tarefas árduas.

Ir ao supermercado por exemplo virou um martírio, primeiro porque perdi o apetite e a vontade de cozinhar que me eram característicos. Segundo porque era o Germano quem fazia isso nos últimos meses já que a barriga me atrapalhava e eu já não conseguia ficar muito tempo em pé.

Saí pra fazer compras e mal trouxe as coisas que havia anotado, me senti perdida e frustrada por não saber mais decidir coisas tão simples e corriqueiras.

Voltando pra casa fui trocar as toalhas do banheiro e me deparei com nossos nomes nelas bordados. Isso me fez lembrar do nosso casamento, dos presentes que nós ganhamos, do quanto fomos felizes juntos e do quanto ainda seríamos.

Me lembrei dos nossos últimos planos, das nossas vontades e espectativas...
Me lembrei que nossa vida estava só começando...
Me lembrei que essas coisas já não fazem sentido e que daqui pra frente eu terei que tomar as decisões sozinhas.
Como isso me apavora!

Que saudade do tempo em que eu era feliz e cheia de planos...