Na semana passada completou o sexto mês sem o Gê.
Várias coisas se passaram pela minha cabeça e continuam passando.
Parece que só agora eu percebo a real dimensão de toda essa transformação que minha vida sofreu.
Até aqui eu tinha a impressão que as coisas iam chegar ao seu lugar, de certa forma era como se eu acreditasse na possibilidade do Germano voltar.
Doce ilusão...
De novo me falta o chão e tenho tido muita vontade de desistir.
Acordar pela manhã e saltar da cama voltou a ser um grande sacrifício e eu queria mesmo era nem ter que tirar o pijama.
Não sei mesmo como será...
A cada nova risada do Nuno fico pensando em como seria bom dividir isso com o Gê.
Me dói profundamente não poder vê-lo ser pai, não poder dividir com ele as noites em claro, as evoluções diárias do nosso lindo bebê.
Tanta coisa por fazer, tantos sonhos não realizados.
Me sinto sem forças e um tanto quanto exausta.
Esse blog foi criado para ser minha válvula de escape. Meu intuito é tentar minimizar a dor de perder meu marido 13 dias após meu aniversário de 30 anos e 3 dias após colocar no mundo o nosso único e tão desejado filho. Busco compreender esse misto de alegria e tristeza que me assolam e quem sabe encontrar pessoas que tenham enfrentado situaçoes semelhantes. Apresento a vocês meus 2 grandes amores!!!
quarta-feira, 27 de julho de 2011
terça-feira, 19 de julho de 2011
NUNCA ESTAMOS PREPARADOS
Evitei o quanto pude, posterguei ao máximo.
Infelizmente chegou a hora e o email que eu evitava abrir há tempos precisou ser impresso hoje.
Era o laudo do IML e junto com ele todos os detalhes do ocorrido.
Não vou ficar pormenorizando o que eu li porque ninguém, ninguém mesmo, merece ler ou saber de detalhes tão cruéis.
Eu mesma sei que não devia ter lido o laudo, mas e quem consegue simplesmente ignorar aquilo, impresso ali na sua mão???
Logo na primeira página a gente vê o quanto é banal e vulnerável a vida.
Nem sei explicar o que senti.
Raiva, medo, tristeza e até insegurança por viver num mundo tão cruel.
O tempo passa e a vida vai tomando novos rumos.
A ausência se instala e às vezes a gente até acha que dá pra seguir assim, manco de uma perna, com o coração partido, a ferida ainda meio aberta.
É uma saudade sem fim, uma vontade de gritar sem parar...
Um medo de ser pra sempre assim.
Que saudade da tampa da minha panela, da pessoa que me fazia sorrir todos os dias e que deu um novo rumo a minha vida.
Fico aqui assentada olhando a sua foto e não consigo acreditar que não vou mais poder te tocar, te ouvir gargalhar.
Agora você é um anjo que toma conta de mim.
Infelizmente chegou a hora e o email que eu evitava abrir há tempos precisou ser impresso hoje.
Era o laudo do IML e junto com ele todos os detalhes do ocorrido.
Não vou ficar pormenorizando o que eu li porque ninguém, ninguém mesmo, merece ler ou saber de detalhes tão cruéis.
Eu mesma sei que não devia ter lido o laudo, mas e quem consegue simplesmente ignorar aquilo, impresso ali na sua mão???
Logo na primeira página a gente vê o quanto é banal e vulnerável a vida.
Nem sei explicar o que senti.
Raiva, medo, tristeza e até insegurança por viver num mundo tão cruel.
O tempo passa e a vida vai tomando novos rumos.
A ausência se instala e às vezes a gente até acha que dá pra seguir assim, manco de uma perna, com o coração partido, a ferida ainda meio aberta.
É uma saudade sem fim, uma vontade de gritar sem parar...
Um medo de ser pra sempre assim.
Que saudade da tampa da minha panela, da pessoa que me fazia sorrir todos os dias e que deu um novo rumo a minha vida.
Fico aqui assentada olhando a sua foto e não consigo acreditar que não vou mais poder te tocar, te ouvir gargalhar.
Agora você é um anjo que toma conta de mim.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
TRABALHANDO POR 2
Os dias têm sido muito, muito corridos.
Saio cedo, chego tarde, fico torcendo por Nuno ainda estar acordado.
Trabalho nunca me assustou, mas também nunca foi tão necessário.
O dia passa e eu nem vejo.
A vida anda voando e eu já não tenho muito tempo pra ficar remoendo nada.
Confesso que tenho evitado parar pra pensar, não me perco mais em devaneios e nem tento ficar encontrando justificativas pro inexplicável.
Espero que o Gê compreenda que só assim tenho tido um pouco de paz espiritual.
Continuo me lembrando dele diariamente até porque tanto nas horas de alegria quanto nas de dificuldade é nele que penso e sinto uma falta imensa...
Mas aí, paro de pensar senão logo me dá vontade de chorar e eu não quero mais. Preciso ao menos tentar enxergar a tal luz no fim do túnel ou então optar por pirar de vez.
Saio cedo, chego tarde, fico torcendo por Nuno ainda estar acordado.
Trabalho nunca me assustou, mas também nunca foi tão necessário.
O dia passa e eu nem vejo.
A vida anda voando e eu já não tenho muito tempo pra ficar remoendo nada.
Confesso que tenho evitado parar pra pensar, não me perco mais em devaneios e nem tento ficar encontrando justificativas pro inexplicável.
Espero que o Gê compreenda que só assim tenho tido um pouco de paz espiritual.
Continuo me lembrando dele diariamente até porque tanto nas horas de alegria quanto nas de dificuldade é nele que penso e sinto uma falta imensa...
Mas aí, paro de pensar senão logo me dá vontade de chorar e eu não quero mais. Preciso ao menos tentar enxergar a tal luz no fim do túnel ou então optar por pirar de vez.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
2011, QUERO MAIS NÃO!
Terça-feira, 05 de Julho ainda pela manhã recebi a noticia do falecimento de um amigo que morava nos EUA.
32 anos, cheio de alegria e planos, morreu dentro de uma jacuzzi.
Ontem filho único, provendo a mãe que já não o via há anos, hoje quase enterrado como indigente na terra do Tio Sam.
Dá pra explicar???
Dá pra fazer uma mãe entender isso?
Hoje o noticiário mostrou o desfecho de um acidente ocorrido em 28 janeiro onde uma carreta (elas sempre estão no meio das maiores tragédias) bateu em sei lá quantos carros e matou acho que 5 pessoas e feriu ao todo 12, dentre elas uma criança de 2 anos faleceu enquanto sua irmã mais velha de 4 anos ficou em estado grave e recebeu alta hoje, não fala nem anda mais. Os pais, esses eu reconheci pela TV, o marido já vi em algumas ocasiões no meu ambiente de trabalho e a esposa fez algumas disciplinas comigo enquanto estava grávida da mais nova que não sobreviveu.
Dá pra entender ou explicar isso também???
Logo que perdi o Germano eu me senti a pessoa mais solitária do mundo, achei que só acontecia comigo.
Aí veio a Nara, hoje minha amiga, e me contou que viveu uma situação muito parecida com a minha. Ficou viúva de um amigo do Gê aos 25 anos e assim como eu também cria a pequena Elis sozinha e com muita garra.
Mesmo vendo tragédias como a da região serrana do Rio no começo do ano, só hoje me caiu a ficha e percebi que todo mundo já viveu ou conhece um caso como esses. Pela primeira vez eu pensei que talvez essa mãe das duas meninas estivesse sofrendo mais do que eu. Pela primeira vez eu não achei que a minha dor fosse a maior do mundo e tive muito medo de ter que enfrentar uma situação dessas de novo.
É assutador imaginar que o fato de ter perdido o Gê não me torna imune e que nada é tão ruim que não possa piorar.
Sarcástico? Sim.
Pessimista? Completamente.
Impossível? Não.
Infelizmente essa é a dura realidade.
Viver é um grande desafio e pra morrer, basta mesmo estar vivo.
Que Deus nos dê forças e muita sabedoria pra lidar com todos esses desafios.
Que nos dê também novos motivos pra continuar a viver porque de fato não tem sido fácil pra ninguém.
32 anos, cheio de alegria e planos, morreu dentro de uma jacuzzi.
Ontem filho único, provendo a mãe que já não o via há anos, hoje quase enterrado como indigente na terra do Tio Sam.
Dá pra explicar???
Dá pra fazer uma mãe entender isso?
Hoje o noticiário mostrou o desfecho de um acidente ocorrido em 28 janeiro onde uma carreta (elas sempre estão no meio das maiores tragédias) bateu em sei lá quantos carros e matou acho que 5 pessoas e feriu ao todo 12, dentre elas uma criança de 2 anos faleceu enquanto sua irmã mais velha de 4 anos ficou em estado grave e recebeu alta hoje, não fala nem anda mais. Os pais, esses eu reconheci pela TV, o marido já vi em algumas ocasiões no meu ambiente de trabalho e a esposa fez algumas disciplinas comigo enquanto estava grávida da mais nova que não sobreviveu.
Dá pra entender ou explicar isso também???
Logo que perdi o Germano eu me senti a pessoa mais solitária do mundo, achei que só acontecia comigo.
Aí veio a Nara, hoje minha amiga, e me contou que viveu uma situação muito parecida com a minha. Ficou viúva de um amigo do Gê aos 25 anos e assim como eu também cria a pequena Elis sozinha e com muita garra.
Mesmo vendo tragédias como a da região serrana do Rio no começo do ano, só hoje me caiu a ficha e percebi que todo mundo já viveu ou conhece um caso como esses. Pela primeira vez eu pensei que talvez essa mãe das duas meninas estivesse sofrendo mais do que eu. Pela primeira vez eu não achei que a minha dor fosse a maior do mundo e tive muito medo de ter que enfrentar uma situação dessas de novo.
É assutador imaginar que o fato de ter perdido o Gê não me torna imune e que nada é tão ruim que não possa piorar.
Sarcástico? Sim.
Pessimista? Completamente.
Impossível? Não.
Infelizmente essa é a dura realidade.
Viver é um grande desafio e pra morrer, basta mesmo estar vivo.
Que Deus nos dê forças e muita sabedoria pra lidar com todos esses desafios.
Que nos dê também novos motivos pra continuar a viver porque de fato não tem sido fácil pra ninguém.
domingo, 3 de julho de 2011
PENSAR, SÓ PENSAR
Essa última semana foi tão difícil...
Não fiquei um dia, uma hora, um minuto sequer sem pensar nessa minha louca vida.
Quero colo, quero paz, quero voltar a viver.
Saudade, muita, muita saudade!
Não fiquei um dia, uma hora, um minuto sequer sem pensar nessa minha louca vida.
Quero colo, quero paz, quero voltar a viver.
Saudade, muita, muita saudade!
sábado, 2 de julho de 2011
UM PASSO A FRENTE E DOIS ATRÁS
O sábado passado foi um dia de muita alegria e diversão pra mim, entretanto hoje está sendo exatamente o contrário.
É tão estranho não ter mais domínio dos sentimentos.
Sempre que eu acho que eu estou começando a superar eu desmorono de novo.
Essa semana toda, hoje especialmente, eu senti tanta, mas tanta saudade do Germano.
Eu tenho evitado ver fotos, vídeos e até pensar.
Eu fiquei a semana inteira me ocupando de várias outras coisas pra ver se conseguia driblar esse nó que fica preso na garganta, mas simplesmente chega um ponto que a gente explode.
Hoje foi assim.
Estava com o Nuno no colo e sem razão aparente ele começou a rir e se agitar como se estivesse vendo algo muito engraçado, mas na verdade ele tava apenas olhando pra parede do quarto.
Eu tive muita vontade de chamar o Germano pra ver que graça o nosso pequeno tava fazendo e por um minuto eu até esqueci que isso não era possível.
De repente, enquanto o Nuno ria do nada e para o nada eu chorava por tudo e sentia de novo aquele aperto no peito que chega a doer.
Voltei a sentir medo e um certo desespero de não conseguir tocar adiante.
Desejei tanto que fosse um sonho, fiquei olhando pra foto do Gê e perguntando: - Por que com a gente?
Será que um dia isso passa???
É tão estranho não ter mais domínio dos sentimentos.
Sempre que eu acho que eu estou começando a superar eu desmorono de novo.
Essa semana toda, hoje especialmente, eu senti tanta, mas tanta saudade do Germano.
Eu tenho evitado ver fotos, vídeos e até pensar.
Eu fiquei a semana inteira me ocupando de várias outras coisas pra ver se conseguia driblar esse nó que fica preso na garganta, mas simplesmente chega um ponto que a gente explode.
Hoje foi assim.
Estava com o Nuno no colo e sem razão aparente ele começou a rir e se agitar como se estivesse vendo algo muito engraçado, mas na verdade ele tava apenas olhando pra parede do quarto.
Eu tive muita vontade de chamar o Germano pra ver que graça o nosso pequeno tava fazendo e por um minuto eu até esqueci que isso não era possível.
De repente, enquanto o Nuno ria do nada e para o nada eu chorava por tudo e sentia de novo aquele aperto no peito que chega a doer.
Voltei a sentir medo e um certo desespero de não conseguir tocar adiante.
Desejei tanto que fosse um sonho, fiquei olhando pra foto do Gê e perguntando: - Por que com a gente?
Será que um dia isso passa???
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