domingo, 27 de fevereiro de 2011

ESTOU TENTANDO...

Esse fim de semana resolvi sair de casa na tentativa de voltar ao convívio social.

Não sei se consegui disfarçar o suficiente ao ponto das pessoas não terem percebido o quanto estava sendo difícil eu me manter em qualquer lugar que não fosse a minha própria casa, longe dos olhos de todos.

Parece que a tragédia me deixou famosa, tenho a nítida impressão que as pessoas se entreolham quando eu apareço e sussurram umas para as outras: - é essa aí moça que perdeu o marido.

Uns mais corajosos até confessam que estavam mesmo comentando a minha tragédia e por mais que eu pareça estar sabendo lidar com isso, admito que não estou, definitivamente não estou.

Tento diariamente ser um pouco mais forte, não chorar, não me desesperar...
Tentativas em vão.
Todos os dias há momentos em que me sinto fraca, que choro e me desespero.

Todos me dizem que isso vai passar, que um dia eu vou retomar minha vida, vou recomeçar.
Não sei quando e nem se esse dia chegará, só sei que tá doendo demais e sair de casa ainda é uma missão quase impossível.

Todos os lugares me lembram o Germano e não têm a menor graça sem ele.
Me sinto deslocada, sozinha, incompreendida.
Completamente desamparada.

Pra terminar quero deixar aqui o texto que eu li na missa de sétimo dia e que conta um pouquinho da nossa história:

Homenagem ao Germano
Me propus a escrever uma homenagem ao Gê mas me faltavam as palavras e eu não sabia por onde começar, portanto decidi contar a vocês um pouco da nossa historia.
Foi no ano de 2004 que nos conhecemos nos bancos da faculdade. Naquela altura éramos 2 jovens loucos pra ganhar o mundo e viver grandes aventuras, estávamos há poucos meses da formatura e não tínhamos certeza de nada, nem de que queríamos ficar juntos, aliás, minto, ele tinha essa certeza, pois desde a primeira vez que me viu fixou seu olhar em mim de uma forma tão intensa que até me assustou.
Por alguns meses fui arredia e esquivei o quanto pude de seus galanteios. Custei a reconhecer que estava apaixonada por aquele rapaz com jeito moleque, cabelos de anjo e dono de uma gargalhada contagiante.
Foi no dia da minha colação de grau que aceitei seu pedido de namoro, mas sob uma única condição: que ele se casasse comigo!!!
Não sei por que eu impus aquilo naquele momento, mas ele sem titubear disse: EU CASO!!! 6 meses depois estávamos noivos pra surpresa de todos. Acho que nem nós mesmos sabíamos o quão grande era a decisão que tínhamos tomado. Nossos pais ficaram aflitos e hoje entendo a preocupação deles.
Em 06 de outubro de 2006 confirmamos a nossa união perante o juiz de paz que fez uma pequena confusão e ao olhar pra mim e disse: MARIDO e ao olhar pro Germano disse: MULHER. Aquilo causou risos quando seu amigo Gustavo disse: É Gegê até o juiz de paz já sabe quem vai mandar!!!
No dia seguinte aconteceu nossa festa de casamento, e que festa!!! Terminou ao meio dia e aposto que ninguém nunca mais vai ver um casal vestido de noivos entrar no restaurante paracone.
Ali começava efetivamente nossa vida a 2. Muito trabalho, muitas viagens, muitas festas, muitos amigos, mas principalmente muita amizade, respeito, amor e cumplicidade.
Éramos, digo, somos um casal modelo. Servimos de exemplo pra várias pessoas e sempre tivemos a certeza de que casar foi nossa decisão mais acertada. Pode parecer conto de fadas mas assim como a tragédia sai da novela e atinge nossas vidas, os contos de fadas também viram realidade e tenho certeza de que fomos feitos um para o outro. Como ele mesmo dizia, eu batia e ele assoprava.
A partir de 2008, o Germano passou a ter o firme propósito de ter um filho e assim ele exclamava: “olha ano que vem EU vou ter um filho e vc tem preferência”.  Depois de uma conversa decidimos deixar essa importante missão para o próximo ano e em 2010, sem fazer muita publicidade, providenciamos a encomenda do nosso rebento.
Germano realizou seu maior sonho e o dia 17 de Janeiro de 2011, nascimento do Nuno, foi sem sombra de dúvidas o dia mais feliz de sua breve vida.
Ele estava em êxtase, chorava pelos corredores do hospital como criança e não tinha quem não percebesse o tamanho da sua felicidade. Felicidade tão efêmera que durou apenas 3 dias, exatas 72 horas, já que no dia 20 ele partiu, partiu deixando um pedacinho dele pra que eu pudesse cuidar, pra que eu pudesse a cada dia lembrar do seu sorriso alegre e do seu espírito de criança.
Hoje fica a saudade e o sentimento de que nada foi deixado pra trás, vivemos intensamente cada momento que passamos juntos, temos uma linda história de amor pra contar.
Xuxu, obrigada por ter me deixado fazer parte da sua vida, por ter me dado o Nuno, por ter me amparado quando eu precisei chorar e ter dado tantas gargalhadas comigo. O nosso amor definitivamente é eterno e tenho certeza de que voltaremos a nos encontrar. Eu que sempre tive um pouco de dificuldade em dizer isso, agora grito: TE AMO PRA SEMPRE. Fique em paz!!!
Que Deus me dê forças.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

NOSSA PRIMEIRA VEZ

Meu filho, hoje pela primeira vez ficamos sozinhos em casa, só eu e você.
Você choramingando de sono e eu de saudade, saudade da bela família que mal chegamos a ser.

Vez ou outra me pego estática olhando pra foto em que você está no colo do seu pai e sempre me pergunto se ele só te carregou aquela vez...não consigo me lembrar de outras. 
Me pergunto o que ele estaria fazendo agora, o que ele diria a você e a mim.
Por vezes tento imaginar como seria seu semblante, o que ele faria pra me ajudar com os cuidados com você, se teria jeito com um recém nascido...

Infelizmente agora ficam só as lembranças e um medo enorme de não dar conta de te criar sozinha, de errar mais do que acertar sabe.
Eu vi várias pessoas serem mães solteiras e até poderia ter acontecido comigo, mas nunca me imaginei sendo mãe viúva.

Pois é, viúva...
Só essa semana me dei conta de que meu estado civil havia mudado e dessa vez sem o meu consentimento.
Sabe que no nosso convite de casamento estava escrito assim:

"Venham nos ver pela última vez solteiros, pela primeira vez casados e felizes para sempre!!!"

De fato fomos muito felizes e se alguém algum dia lhe disser que o casamento é uma instituição falida não acredite porque eu e seu pai fomos muito, muito felizes e disso todo mundo sabe.  

Estávamos sempre de bem com a vida, viajamos, saímos, fizemos bons amigos, enfim, curtimos demais e só brigávamos, aliás, eu brigava sozinha por besteiras, coisas que hoje sinto falta.

Sinto falta do paletó do terno pendurado na cadeira da sala, das meias espalhadas por todos os cantos, das gravatas que eu encontrava dentro do porta luvas do carro e diversos outros lugares...
Sinto falta de abrir a gaveta e não encontrar as minhas meias, seu pai usava até as que tinham florzinhas cor de rosa...
Ele era uma figura!

Hoje vivo um antagonismo, ao mesmo tempo que está tudo no seu devido lugar está tudo completamente fora do lugar. 

Os ternos, os sapatos e as gravatas já não saem do armário mas o estado estático me incomoda mais do que quando os encontrava espandongados pelos cantos da casa.
Nunca pensei que fosse gostar de arrumar as bagunças que seu pai fazia diariamente e em poucos minutos, mas de longe isso seria muito melhor do que ter que reorganizar todo o meu interior.

Pra terminar quero compartilhar com você algumas das nossas muitas histórias, dessa vez contada pelo Bê:
Vou falar um pouco do que era o GG para mim: para começar era um cara que conseguia com uma facilidade, que eu nunca havia visto, conquistar a amizade de alguém. Bastava passar 5 minutos ao seu lado e você já o consideraria seu grande amigo e vice-versa. Era um cara que eu podia contar nos momentos mais difíceis com conselhos sábios ou às vezes com um simples “deixa pra lá, liga para isso não, liga para o gordinho aí” e rachava os bico. Um cara que já dizíamos um santo por agüentar sua bravesa toda sem estressar rsrs, ele te amava pra caramba e sei que você da mesma forma. Gostava duma prosa, fofocar até mais que muitas mulheres, o que era muito engraçado. Fanático por futebol podia chamá-lo para ver qualquer jogo que ele iria lá torcer para o seu time, com tanto que não fosse contra o flamengo, se julgava um pé quente. E parece que era mesmo. Recebi ontem uma multa em minha casa na Av. Antônio Carlos no dia 24/10/2010 e comecei a rachar quando lembrei que foi o dia do casamento da Geórgia e a gente saiu de lá e fomos gritando na Antônio Carlos inteira os 3 gols que o Galo estava fazendo durante o percurso, ele até te ligou esse dia comemorando, foi curtição como sempre, acho que foi a única multa que gostei de Recber na vida pois me trouxe essa lembrança. Era um advogado super competente, talvez meu futuro sócio, era o que a gente combinava nas nossas divagações sobre o futuro. Infelizmente não poderei cumprir essa tarefa com ele mas com certeza será sempre uma grande inspiração para que eu alcance vôos maiores. Era um excelente tio para o João, o tratava com o carinho de um filho o que me dá a certeza que seria um excelente pai. Em Lagoa Santa uma vez fomos direto de uma festa e pegamos o João lá em casa e fomos para o sítio, dormimos e o João certa hora da manhã resolveu ir lá abrir o olho do GG, o GG levantou na maior paciência perguntou ao João se estava com fome e foi fazer um café para ele, e dizia, já estou treinando para o Nuno. Quando não tinha nada para fazer dizia chega aí para jogar um buraquinho e no meio do jogo levantava e sumia quando você ia olhar o cara tinha ido dormir sem dizer uma palavra, kkk. Isso quando não resolvia levantar e fazer xixi no armário, kkkk. E se ficar aqui vou lembrar de diversas outras histórias sobre esse cara fenomenal que como já disse era mais que um amigo, mas um irmão e foi uma honra poder conviver com ele a cada minuto.
Mais triste que perder seu pai é saber que ele perdeu você...   
"Vocês se perderam um do outro, mas eu tive o privilégio de ter os dois". (Cris Guerra)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

UM DIA DE CADA VEZ

Todas as manhãs acordo com o sentimento de que desperto de um sono profundo onde vivi algo muito triste e leva alguns instantes até que eu entenda que não foi um sonho ou um pesadelo.

Tenho vontade de não sair da cama. Só faço isso quando o Nuno reclama seu café da manhã e eu de fato preciso abrir o restaurante pra essa criança que nada tem a ver com as fraquezas de sua mãe.

Cada dia preciso me convencer novamente de tudo o que está se passando ao meu redor e me convencer de que eu vou sim ter que enfrentar essa barra.

Faço um tremendo esforço pra não sucumbir e se isso até hoje não aconteceu foi por causa desse serzinho que o Germano deixou pra mim.

Na sala de parto ele me chamou de guerreira e mal sabia eu que colocar um filho no mundo era a menor das batalhas que eu haveria de enfrentar.

Que loucura tudo isso.
Era pra eu estar comemorando a vida mas eu só consigo pensar na morte.

Quando saio de casa e vejo a vida acontecendo naturalmente tenho vontade de parar todas as pessoas e perguntar: será que vocês não percebem o que está acontecendo comigo?

É tão estranho ver o meu mundo acabado e o resto do mundo simplesmente vivendo como se nada tivesse acontecido.

Espero um dia conseguir voltar a habitar esse mundo externo que não desabou como o meu.
Não sei quanto tempo isso vai levar e nem como vou fazer pra conseguir.

A única coisa que sei é que vou ter que me reapresentar às pessoas porque já não sou mais a mesma.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

SENTIMENTOS

Parei pra reler o que eu andei escrevendo nos últimos dias e fiquei surpresa.
Surpresa com o fato de parecer que eu conto a historia de uma outra pessoa e não a minha própria.

Relendo os textos senti pena dessa pessoa em quem eu me transformei em tão pouco tempo.
Uma pessoa tão triste, tão sem vontades, quase sem objetivos.
Uma pessoa que eu não conheço mais e que era exatamente o contrário dessa que aqui está.

O mais curioso é que sempre abominei sentimentos como esse.
Nunca quis que tivessem pena ou dó de mim, preferia que me odiassem.
Olha que ironia do destino, hoje sou eu aqui sentindo pena de mim mesma.
Buscando respostas que talvez eu nunca venha a encontrar.

Que tristeza é essa que tomou conta de todo o meu ser?

Não consigo pensar em nada além de toda essa tragédia.
Não consigo deixar de lembrar do Germano um só minuto.
Não consigo deixar de vê-lo em cada detalhe. 

E como dói saber que meu filho não terá o prazer de conviver com ele.
Como dói crer que nos reencontraremos um dia mas que isso pode estar muito longe de acontecer.
Como dói...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

SEGUIR EM FRENTE

Hoje também faz um mês, só que do falecimento do Germano, portanto não temos motivos pra comemorar.

Queria compartilhar com todos um texto simples mas que diz muito... 

A morte não é nada
A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era pra vocês, eu continuarei sendo.
Me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.
Por que eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vidas?
Eu não estou longe, apenas do outro lado do Caminho.
Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela com sempre foi.
(Pe. Reginaldo Manzotti)
Ao ler o texto de imediato sinto um conforto, entretanto, logo em seguida me volta aquele sentimento de que falta alguma coisa. E falta mesmo...

Falta o pai do meu filho, falta o filho dos meus sogros, falta o irmão do meu cunhado, falta o meu marido, que saiu pra viajar e esqueceu de me avisar que a viagem era muito mais longa do que eu esperava.

Tento olhar pra frente e seguir adiante, mas é com se houvesse um espelho retrovisor que não me deixa enxergar o que vem em seguida, só reflete o que ficou pra trás...

Meu coração tá apertado e continuo sem saber como a vida vai ser. 

sábado, 19 de fevereiro de 2011

DEPOIMENTOS

Tenho recebido diariamente emails que me relatam histórias e casos do Germano. Não quero que essas histórias se percam e por isso peço licença aos nossos queridos amigos pra postar tudo aki. 

Os que conviveram conosco mais de perto vão rir ao ler porque vão se lembrar exatamente de como era o Gê! 
(...) Acho que fico esperando o momento certo, pensando demais e já percebemos que nao existe o momento certo para nada ou se existe nao somos nós que escolhemos. Achei lindas as palavras da Gabi para o Gegê: "que cara du caralho, sensacional, foi bom demais!!!". E eu fiquei lembrando da penultima vez que a Dani e eu tínhamos ido para BH, na época do chá do Nuno, e o Gegê, com aqueles olhinhos travados como sempre e falando sem parar: "Prazer meu nome é Chocolate, vc vem sempre aqui?".  Veio conversar com a gente e dizer o quanto foi boa a convivencia com a Dani e com a gente como casal. O quanto isso o ajudou a começar a se destravar do preconceito. Contou um tanto de historia, como sempre,rs, de preconceitos vividos por ele e da visao dele hoje. E no fim falou que nos amava com aquela simplicidade e facilidade de sempre do Gegê. E isso para mim é um dos maiores agradecimentos e aprendizados e felicidade de ter convivido com Germano. Ele nao esperava para dizer ou fazer algo, tinha a oportunidade e fazia. Ele mostrava como era facil e como era bom fazer isso. Nós tambem dissemos que o amavamos, e que amavamos voces (junto com o nuno já.rs). Eu nao sei se ele ouviu, porque ele realmente nao parava de falar (rsrs), mas sei que ele entendeu porque no fim nos abraçamos. Muito bom... Sinto que ele sentia e sente o nosso amor e amor de todo mundo. E que ele pode contar com todo esse amor para o crescimento e vida do Nuno.
Pois eh.. ja faz um mes ne..??!! Se eh que da pra acalmar um pouquinho esse coracao, saiba que estou/ estamos com vc.. Infelizmente, a gente caminha so pra frente... vao tentar caminhar entao..Rachei muito os bicos do E AI NETOSSSSSS??????, nao lembrava conscientemente disso.. e nem sabia que te irritava, to aqui rachando sozinho.. e chorando.. e todo mundo me olhando.. como ja disse antes..gringo louco!!! Eu amava/amo muito aquele fpd, acho que vc sabe bem disso.. e nem precisa me falar que ele tb pq (vou ser pretensioso, mas tenho CERTEZA) conversavamos mto sobre tudo, incluindo nossa amizade, que os dois consideravam muito..(...)
(...) Quando eu penso no Ge e nessa tragédia ou quando agora, qdo li o texto lindo q vc escreveu, eu desando a chorar sim, choro, acho triste e cruel. No entanto, logo, logo e SEMPRE que eu penso nele, eu simplesmente 'racho os bico', e fico lembrando: que cara du caralho, sensacional, foi bom demais!!! Amiga, eu tenho pensando tanto nisso, no nosso legado... não importa o quanto a gente viva se muito ou pouco, se fraca ou intensamente, sempre deixaremos um legado... E isso também da sentido à vida, nos eterniza e nos liberta do nosso frágil corpo. As nossas fotos e lembranças, o blog, todos os casos do Ge que nós vamos contar e recontar eternamente, pode ter certeza, fazem parte de um sentimento muito maior que carregamos por ter sentido a  PRESENÇA dele. E que presença! Que pessoa especial! Não precisamos criar nenhum mito, Gege era um fdp cheio de defeito que nem a gente, mas eu nunca  fiquei na presença dele sem estar me sentindo bem, relaxada e feliz! E sei que essa sensação é geral. Olha que coisa boa! Volto a dizer, choro, mas logo começo a rir e não canso de pensar: valeu  valeu valeu valeu valeu valeu demais!!!!!! Não canso de repetir. Seja onde ele estiver, ou seja lá como for, SINTO com certeza que ele está bem e que nós também vamos ficar! O Nuno é outro serzinho que já nos enche de amor, satisfação e outras divagações..."tudo vale a pena"...
Acho que não há mais nada pra dizer, apenas agradecer por ter tido a oportunidao de conviver com essa pessoa fantástica que foi o Germano e mais do que isso, ter tido a honra de ser a mãe do seu filho.

Como vc mesmo diria, foi SEN SA SI O NAL estar ao seu lado!!!
TE AMAMOS

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

SAUDADE

Acordei hoje com aquela dor no peito que tem sido minha maior companhia.
Passei o dia tentando falar o mínimo possível.

Tive vontade de dormir.
Tive vontade de chorar.
Tive vontade de gritar.
Tive vontade de ver o Germano.
Tive vontade de perceber que era um sonho.

O dia nem acabou, mas eu me sinto acabada, nocauteada pela falta que sinto dele.

Tem dias que dói mais e que a gente simplesmente não sabe definir o que sente.

Hoje é um desses dias, daqueles que você fica como criança e só sabe perguntar: Por que???

Por que comigo?
Por que com meu filho?
Por que o Germano?
Por que aquele dia?
Por que aquele maldito caminhão?
Por que eu não pude impedir?

Tantos porques e nenhuma resposta convincente.
Às vezes a gente até finge que entende, que aceita, que vai seguir em frente.

Logo em seguida a gente se dá conta de novo que era só uma força momentânea, mas que a fraqueza ainda toma conta.

Falta coragem, falta objetivo, falta vc Germano...

Que raiva de tudo isso, de ser tão egoísta ao ponto de achar que qualquer um pode passar por esse sofrimento mas que eu, eu não merecia mais esse tombo.

Nunca pensei que pudesse existir uma dor assim e por vezes desejei trocar de lugar com o Germano por ser covarde demais pra enfrentar esse momento que parece durar uma eternidade.

Mesmo sabendo que as pessoas tem razão ao dizer que Deus não dá frio maior que o cobertor, estou batendo queixo...

Tenho que me curvar à definição que deram à palavra saudade.
Saudade é amor que fica!!!
Verdade! E esse amor que fica só aumenta...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

1 MÊS

Parabéns meu filhote!
Hoje vc completa seu primeiro mês de vida e já tem tanta história pra contar.

Se seu pai ainda estivesse conosco cantaríamos "parabéns pra vc" pela manhã, te encheríamos de beijos e talvez vc até ganhasse um presente porque pra mim seu pai sempre enrolava mas pra você ele faria qualquer coisa.

Eu até poderia fazer isso sozinha, mas me perdoe por ainda não conseguir comemorar com você. Apenas te dei muitos beijos mas não tive coragem de cantar nada...só consegui dizer baixinho no seu ouvido o quanto te amo e o quanto seu pai tb te amou desde o dia em que soube que você viria ao mundo.

Aliás, foi em Maio de 2010 (depois eu vejo o dia certinho) que eu descobri que estava grávida. A gente já tava tentando mas não tínhamos assumido isso abertamente pra ninguém. Até eu mesma tentei esconder um pouco do Germano porque queria que fosse surpresa, e realmente foi.

Foi numa quarta-feira, eu tinha aula na UFMG e seu pai na PUC. Ele me pegou na rodoviária (eu chegava de Ipatinga), me deixou na UFMG e eu lhe pedi um dinheiro pra lanchar (o que ele inclusive estranhou já que pedi mais do que custa um lanche), na verdade era pra fazer o exame.

Antes de ir pra aula fui até o laboratório e fiz o exame que ficaria pronto cerca de 2 horas depois.

Fiquei na sala de aula querendo contar pra todo mundo que eu podia estar grávida mas me contive e saindo de lá peguei o resultado que indicava o número 79, me lembro como se fosse hoje...

Li e reli o exame mas não compreendi se eu tava mesmo ou não grávida, então liguei pra uma amiga que me deu parabéns. Já com sorriso no rosto mas ainda com um pouco de dúvida atravessei a rua, entrei num fármacia e sem dizer nada mostrei o exame pra farmaceutica que disse: é positivo!!!

Fui pra casa imaginando mil maneiras de contar a notícia pro Germano e tentando bolar uma forma de tornar aquele momento inesquecível, como se alguém pudesse esquecer um momento desses...

Chegou em casa comigo o Bê e o momento que era pra ser meu e do Germano foi de nós 3, ou melhor, de nós 4...

Todas as quartas a gente saia ou ficava em casa jogando baralho e tomando cerveja, mas nessa eu não pude acompanhar os meninos e foi exatamente assim que dei a notícia, tirando um papel da bolsa.

O Germano não tinha lugar, andava pelo corredor do apartamento de um lado para o outro repetindo que ia ser pai e que agora ele teria que crescer de verdade, ele virou a noite comemorando, também me lembro disso como se fosse hoje...

E foi assim que começou o amor dele por vc, um amor tão puro e verdadeiro que mesmo sem perguntar pra ele posso afirmar sem medo de errar que o dia do seu nascimento foi sem sombra de dúvidas o dia mais feliz da vida do seu pai. Assim como ele andou nos corredores do nosso apartamento ele andou pelos corredores do hospital transbordando felicidade.

Chorou de alegria feito criança...nem conseguiu filmar direito seu parto de tanta emoção e eu sinceramente nunca vi na vida alguém tão feliz.

Sabe meu filho, no dia que você nasceu, vendo seu pai tão realizado tive certeza que tudo valeria a pena e que você era de fato a coisa mais preciosa que tínhamos feito juntos.

Hoje, enfrentando toda essa dor, tenho a impressão que nossos papéis se inverteram e não sou eu quem cuida de vc, foi você quem nasceu pra cuidar de mim!!!

Quem sabe no mês que vem ou nos posteriores eu já consiga cantar pra vc...sei que um dia vc vai me entender.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

E A VIDA CONTINUA

Hoje faz exatamente 27 dias que o Germano partiu e pela primeira vez, ao sair de casa, tive vontade de entrar numa loja, ver uma vitrine, reparar nas cores das plantas, nas pessoas passando pelas ruas...

Inicialmente me senti culpada por estar me sentindo um pouco mais leve, um pouco menos sozinha, talvez um pouco mais otimista.

- Que bobagem!
Assim diria o Germano que era muito prático.

Talvez seja mesmo uma bobagem mas pra mim ainda é muito estranho sentir algo diferente da dor o que eu venho suportando.

Ao mesmo tempo que quero me livrar dessa angústia me sinto culpada de estar de alguma forma me recuperando.

Eu passei por esses 27 dias sem perceber, acordava por obrigação e dormia por exaustão. Ao mesmo tempo que é muito pouco tempo às vezes tenho a impressão de que passaram-se anos e eu nem percebi...talvez eu até esteja um pouco abatida, com olheiras, o cabelo esgrenhado, mas e dai???

Levada pela minha vontade repentina entrei numa loja e comprei uma roupa nova que no fundo no fundo não sei nem se vou usar porque não tenho muitos motivos pra sair de casa ou me produzir mas comprei a roupa porque o Germano não costumava ficar na dúvida e sempre que eu perguntava ele dizia: "LEVA XUXU, VC NÃO GOSTOU?? É PRA ISSO QUE TRABALHAMOS, SE VC QUISER EU TE DOU".

E foi tentando ser como ele que eu comprei, muito embora essas coisas já não me saltem mais aos olhos. Meus valores mudaram e uma roupa nova já não me importa, o que eu queria mesmo era poder acordar todos os dias com ele ao meu lado.

Foi assim que hoje, passados 27 dias, eu percebi que a vida continua e que eu vou ter que reaprender a viver.   



terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

MILAGRE DA THAILANDIA

Agora pouco recebi um email onde um grande amigo que está na Thailandia me mandou um recado que achei de muito valor, primeiro porque no mundo cibernetico em que vivemos ele é a unica pessoa que conheço que consegue viver sem email e segundo porque estamos falando de alguém que o Germano aprendeu a amar como irmão, alguém que ele respeitava e admirava como pessoa e que sempre fez parte da nossa rotina.

Ow, fala pra Marcelinha que quase morri de saudades do Ge ontem, nao
> sei pq.. mas bateu um trem, acho que pq a rua eh super animada, aquela
> confusao, musica, fiquei bebado e nao conseguia parar de chorar. O bar
> todo olhando e ninguem entendendo nada. Ate o cantor thai deu uma
> zoada, so nao entendi oque... Fala com ela que eu acho que ele deu
> uma abandonadinha neles e veio passar uns momentos aqui na Thai...
(Neto)

UM GRITO AO MUNDO

Acabo de criar esse blog na tentativa de tentar entender e explicar algumas coisas.
Na tentativa de libertar meu coração, de aliviar minha dor, de expor ao mundo as minhas fraquezas...

Pensei em escrever um diário, mas seria muito pessoal e eu não quero guardar nada só pra mim, quero apenas gritar, gritar ao mundo por socorro, por ajuda, por paz, por força e sabedoria...

Quero que as pessoas saibam que eu não sou tão forte quanto pareço, que eu tenho crises diárias de choro, que amargo uma solidão sem tamanho e que eu simplesmente não sei como será a minha vida daqui pra frente.
Tenho escutado o conselho que me deram de viver um dia de cada vez, mas as vezes o dia é longo demais então decidi viver hora a hora, minuto a minuto.

Já não faço mais planos, afinal eu e Germano estavámos com tudo planejado e a vida simplesmente nos deu uma rasteira. Sabe que nos 10 anos em que pratiquei capoeira eu levei muitas rasteiras mas todas as vezes eu tive certeza de que o chão estava logo abaixo e isso não aconteceu dessa vez. Parece que o chão se abriu e um imenso vazio tomou conta da minha alma. Foi a queda mais dolorida que esperimentei, dói na carne, dói na alma, simplesmente dói de uma maneira inexplicável.

Já perdi o fio da meada, não sei nem se esse texto tem algum nexo!

Quero apenas escrever pra tentar colocar tudo pra fora e quem sabe um dia me sentir um pouco mais leve.
Vou tentar fazer isso diariamente, escrever me traz um pouco de paz e quem sabe um dia eu consiga reler tudo sem que meus olhos se encham de lágrimas.
Quero fazer desse blog uma singela homenagem ao Gê, personagem principal das minhas histórias. Quero que através desse blog o Nuno conheça a história do seu pai que eu vou me encarregar de contar a cada dia. Quero manter viva a memória do Germano, quero me lembrar dele sempre com carinho, quero e apenas quero....