terça-feira, 31 de maio de 2011

ULTRAPASSANDO BARREIRAS

No último sábado, dia 28 de Maio, tomei coragem e pela primeira vez sai com os amigos.
Foi um dia cheio de coisas e eu estava muito cansada.
Quase desisti, mas tinha prometido pra mim mesma que eu ia tentar.
E assim foi feito.
Coloquei uma roupa e fui pra balada.
Chegando lá me senti um peixe fora d`agua, a roupa não combinava, a fila estava enorme e eu já não entendia mais o propósito daquilo tudo.
Se eu não estivesse de carona, talvez tivesse voltado pra casa.
Felizmente eu fiquei e foi ótimo.
Não só por ter conhecido a Nara, mas por ter conseguido me divertir sem ter culpa.

As pessoas costumam dizer que a gente precisa dar a volta por cima, refazer a vida, etc...
Mas quando percebem que a gente não chora mais todos os dias e consegue até manter um sorriso no rosto dizem que ainda tá muito cedo!!!
Eu mesma me condeno. Ao mesmo tempo que desejo que a dor diminua, quando me acho um pouco mais forte, me culpo por isso.
O ser humano é cheio de contradições e essa seria só mais uma delas.

Eu costumava dizer que não importo com o que os outros dizem, mas é mentira, a gente se importa sim.

Não quero que me julguem mal por eu estar apenas tentando seguir adiante.
O fato de sair uma vez ou outra não me tira o status de jovem viúva.
Não me tira a dor e o fardo de ter que criar um filho sem pai.
Não minimiza o sofrimento que eu vou carregar pra sempre.
Apenas mascara o vazio que ainda existe e que também vai existir pra sempre.

Viver essa realidade sem o Germano, sair sem a companhia dele é tão difícil quanto ficar em casa relembrando os bons momentos.

Espero que as pessoas entendam e não me julguem por atitudes isoladas.
Estou apenas tentando enxergar a tal luz que fica no fim do túnel.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

TRAVESSIA

Tive um dia super corrido e ao chegar em casa fui presenteada com uma caneca estampada com uma foto sua quando bebê e os seguintes dizeres: PARA ESTAR JUNTO NÃO É PRECISO ESTAR PERTO!

Confesso, tive muita, muita vontade de chorar, mas me segurei e saí a francesa da sala.

Depois de terminadas também as tarefas domésticas tive vontade de ver um video seu.
Precisa ouvir sua voz.
Não encontrei.
Revi nosso álbum de fotos.
Chorei feito criança.
Chorei com a mesma dor e desespero do dia do seu enterro.
Tive vontade de gritar, de pedir socorro.
De repente me voltou aquela dor física.
Ouvi Travessia do Milton Nascimento e a letra dela diz simplesmente tudo o que está dentro de mim.

Quanta saudade.
Tem momentos que eu desejo que minha vida passe bem rápido só pra eu não ter mais que sofrer.

Sem condições de continuar a escrever...
Pode parecer mentira mas ainda não consigo acreditar que você se foi.

Milton Nascimento - Travessia

Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho prá falar
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar
Vou seguindo pela vida me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver
Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar

domingo, 22 de maio de 2011

LEMBRANÇAS

Passei o dia estudando e nos poucos momentos de distração assisti a vídeos da infância do Germano.

Que criança linda foi ele.
Educado, inteligente, extrovertido...

Desejo que meu filho herde do pai essas qualidades e seja detentor de um caráter e inteligência invejáveis.

Saudades de você xuxu.
Queria ter você pra esquentar meus pés e acalmar meu coração.

sábado, 21 de maio de 2011

4 MESES

Ontem fez 04 meses que o Germano nos deixou.
Às vezes parece uma eternidade, às vezes parece que foi ontem.

Algumas lembranças são muito vívidas, outras já não tão claras.

A saudade chega a doer.
A falta é insuperável.
A vida nunca mais será a mesma.

Tudo ainda me parece um sonho.
As roupas continuam no lugar e até a escova de dentes.
Toda vez que eu tento mexer eu desisto.
Sei bem que o Germano era uma pessoa sem apegos e sou eu que sofro por não conseguir me desfazer de seus pertences.

Fico evitando ver fotos, assitir a vídeos mas mesmo que eu não os assista tudo se passa na minha cabeça como um filme.
Sempre que estou sozinha choro.

Estou tentanto andar pra frente e dar novos significados à minha vida.
Anseio o dia que eu possa me sentir feliz novamente, se é que isso será possível...

Antes eu tinha medo de morrer.
Hoje eu já prefiro que a minha vida passe rápido.

Eu era uma pessoa sem medos, sonhadora, alegre e otimista.
Já não me conheço, não quero mais o que queria antes e morro de medo de ficar sozinha.

terça-feira, 17 de maio de 2011

CARTA AO GERMANO

Gê,
Hoje nosso pequeno completa 04 meses de vida. Ele tá tão lindo!
Eu tenho tido tanto trabalho que nem pude me dedicar a ele como queria.
Eu não me queixo de trabalhar, você sabe bem que eu nunca tive preguiça e que tudo o que conquistei até aqui foi fruto de muito trabalho.
Me lembro de nós na época da faculdade quando você ia me buscar na Pizzaria. Ficava lá sentado tomando uma cervejinha e batendo papo até que eu e as outras meninas terminávamos tudo.
Algumas vezes a gente saia, outras, você simplesmente me levava pra casa.
Você saia lá da Pampulha só pra me pegar na pizzaria que era no Anchieta e me deixar em casa há poucos quarteirões dali.
Fazia de um tudo pra me conquistar e pouco a pouco isso foi mesmo acontecendo.
Desde que nos casamos nunca me imaginei vivendo sem você e ainda não me imagino.
É ainda inaceitável pra mim.
Tenho você hoje longe dos meus olhos, mas sempre bem perto do coração.
Te levo comigo sempre e quero que saiba que eu ainda sofro muito pela sua ausência mas não tenho revolta.
Eu não peço mais a Deus que me tire o sofrimento, peço apenas força e sabedoria pra saber lidar com ele e assim conseguir continuar a viver e a criar o nosso filho da melhor forma possível.
Parabéns ao Nuno e nós dois que de uma forma ou de outra desempenhamos bem a tarefa de gerar um filho.
Saudades.
Prece de Cáritas

Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade! 

Deus, Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso. 
Pai, Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!

Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor,  para aquele que vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.

Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas  fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão. 
E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.

Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.

Assim Seja.

domingo, 15 de maio de 2011

SERÁ QUE ISSO PASSA?

Imagina que hoje me peguei assistindo à final do campeonato mineiro.

Acho que faço isso como forma de manter a presença do Germano.
Se ele ainda estivesse entre nós, certamente estaria assistindo ao futebol e sem querer foi o que eu também fiz, mesmo sem gostar.

Ainda que o fim de semana seja agitado nada ocupa o vazio que ainda existe.
A noite sempre vem e junto com ela um monte de lembranças.

Na noite passada sonhei que tínhamos nos reencontrado.
Eu só pedia que ele me abraçasse porque eu estava com muita saudade.

Foi um abraço tão apertado...
Pena que foi só um sonho...



sábado, 14 de maio de 2011

DESAPEGO

Tenho que reconhecer que de fato a vida vai reestabelecendo seu curso.
Ainda que a gente não queria as coisas vão voltando à normalidade.
Uma normalidade diferente da que se tinha antes.
Antes eu tinha uma família, trabalho, amigos.
Hoje eu continuo tendo esses itens, entretanto a família já não tem mais os mesmos membros, o trabalho é em outro lugar e realizado de forma diferente, os amigos são os mesmos, mas talvez agora eu seja de fato capaz de indicar aqueles que serão pra toda a vida.
As prioridades também não são mais as mesmas e a solidão ainda apavora.
É uma nova realidade que se constituirá de novas etapas.
Essa semana talvez eu tenha enfrentado uma dessas novas etapas quando entreguei o carro do Germano pra venda.
Não era só um carro, era o desprendimento de um bem que significou o nosso primeiro passo como casal. Até então quem comprava os carros do Gê era seu pai e eu só tinha tido carros usados.
Foi o primeiro bem que adquirimos juntos a partir de uma decisão só nossa e de mais ninguém.
Fomos a agência, gostamos e compramos. Simples como comprar um par de havaianas.
Hoje talvez a gente nem tivesse comprado aquele modelo, mas na época significou que a gente não só tinha condições financeiras pra andarmos sozinhos como significou que já tínhamos maturidade e independência pra cuidar de nossas vidas.
Foi como se tivesse colocado a venda não só o carro, mas parte da nossa história.
Eu sei que era preciso fazer isso assim como algum dia vou ter que me desfazer dos pertences pessoais.
Cada passo de uma vez, um dia de cada vez.
Escrito em 12.05.11

domingo, 8 de maio de 2011

DIA DAS MÃES

Querido Nuno,

hoje foi nosso primeiro dia das mães com você já fora da minha barriga.
Eu pensei que fosse ser um dia triste mas felizmente não foi.

Se eu pensei no seu pai?
Claro, todos os dias eu não só penso como morro de saudades.

O que nós fizemos?
Nós fomos almoçar no mesmo restaurante em que comemoramos a formatura do seu pai.
Naquele dia ele tinha 2 namoradas, eu e a "ex" com quem ele tinha namorado 6 anos e acabara de terminar.
Essa situação deixou ele bastante embaraçado e não consigo deixar de lembrar disso todas as vezes que voltamos lá.
Parece que foi ontem!

Depois do almoço nós viemos pra casa e eu precisava ocupar o tempo então decidi terminar a arrumação dos armários.
É que eu já tinha transferido as coisas do seu pai pra um lado só do armário, deixando boa parte livre.

Se eu dei as roupas dele?
Não, ainda não tive coragem.
Coloquei tudo arrumadinho só de um lado e ocupei o outro com as minhas próprias roupas pra não criar mais uma vazio nas nossas vidas.

Se foi difícil?
Foi sim, muito.
Cada camisa que eu transferia pro outro lado eu me lembrava de uma história.
Queria poder contar aqui cada uma delas.
Certamente o seu pai sabia muito menos das roupas dele do que eu.
Eu me lembro cada ocasião em que foram compradas, quem deu as que foram presente de amigos, as que ele mais usava, as que mais tinham a cara dele e que eu talvez guarde pra vc.
Terminei a arrumação abraçada a uma camisa cinza escuro com gola "V" que compramos em nossa última viagem a Buenos Aires.
Nos últimos tempos ele estava sempre com ela.
Ainda tem o cheiro do perfume.
Meus olhos marejaram.
Fechei o armário.

Sabe meu filho,
várias pessoas hoje se lembraram de nós.
Digo nós porque se não fosse você hoje não seria meu dia.
Fiquei surpresa de receber tantos telefonemas e mensagens.
Fiquei triste por não termos seu pai pra comemorar com a gente e saber que vai ser sempre assim.

Enquanto eu arrumava o armário você e seu tio assistiam ao clássico Atlético e Cruzeiro disputando a final do campeonato mineiro.
Se seu pai estivesse aqui ele teria saido mais cedo do restaurante pra não correr o risco de perder nem um minuto do jogo.
Ele era fanático.
Se auto intitulava um "prostituto futebolístico", desde que não fosse contra o Flamengo ele torcia pra qualquer time e sempre repeita: eu quero é ver gol!

Não sei pra qual time você vai torcer e isso não faz a menor diferença pra mim.
Seu pai ia gostar muito que fosse pro Flamengo, e sabe de uma coisa? Se depender de mim nós vamos realizar essa vontade dele e você vai sim ser Flamenguista!

Seu pai se foi sem ter ido ao Maracanã.
Aliás, ele foi, mas pra assistir ao show da Madonna.
Ele não se cansava de repetir esse caso.
Flamenguista doente, só foi ao Maracanã uma única vez e ainda por cima pra ver a Madonna.
Foi o melhor show que assistimos e esse fim de semana foi muito especial pra nós.

Bom, o galo ganhou mas ainda não é campeão, tem mais um jogo.
Eu vim pro computador te escrever essa cartinha contando como foi nosso dia.

De certo não foi como nós queríamos e havíamos planejado mas vamos ter que nos habituar a comemorar assim mesmo.

Que o papai esteja nos iluminando de onde ele está e que as nossas vidas aos poucos possam adquirir novos significados.

Você dormiu há poucos minutos.
Tenha bons sonhos.
Fique com Deus.
Te amo.

Mamãe.

terça-feira, 3 de maio de 2011

DE VOLTA AO TRABALHO

Essa semana voltei de fato ao trabalho.
Ontem, pela primeira vez fui ao escritório do Germano, e mais, passei a "ocupar seu lugar".
Claro que quando digo - ocupar seu lugar - não pretendo ser como ele, nem fazer com a mesma perícia tudo que ele fazia. Quero dizer apenas que assumi algumas de suas atribuições e que vou me empenhar em ser tão competente quanto ele.

Espero que um dia, quando o Nuno puder ler e compreender tudo que eu venho escrevendo, ele saiba que o Gê, apesar de muito jovem era um grande advogado.
Uma das pessoas mais inteligentes e competentes que eu já conheci.

Quando fizemos a prova da OAB, enquanto eu passava o dia todo estudando o Gê saia pro estágio.
A noite eu ia lhe contar algo que eu havia aprendido toda entusiasmada, como se tivesse feito uma grande descoberta, ele vinha e simplesmente me dava uma aula sobre o assunto, inclusive com fundamentos filosóficos!!!

Era incrível como ele se lembrava de aulas dos primeiros períodos da faculdade enquanto eu mal podia falar o que eu havia aprendido no semestre anterior. E olha que eu não era de matar aula e nem nunca repeti uma matéria sequer!!!

Isso tudo me dá tanta saudade.
Queria tanto ainda poder chegar em casa e ter com quem dividir tudo o que aconteceu no meu dia.
Queria muito chegar em casa, abrir a porta e vê-lo com o Nuno no colo.

Coisas tão simples...

Hoje mesmo, descendo no elevador ouvi a ascenssorista comentando que precisava ir embora amamentar o filho de 3 meses.
Ela dizia que no dia anterior tinha chegado tarde e o marido já havia dado a mamadeira, ela não queria que isso se repetisse.
Eu fiquei pensando como teria sido a minha vida se ainda tivesse o Germano.

Eu provavelmente não estaria naquele elevador ouvindo aquela conversa.
Eu provavelmente seria uma pessoa mais feliz.
Eu provavelmente veria o Germano não só dando mamadeiras ao Nuno com sendo um pai incrível.

Quero que meu filho saiba que o pai dele foi uma pessoa sensacional e que tudo o que ele mais queria na vida era ser pai.

Felizmente ele foi pai.
Infelizmente foi muito rápido.
Felizmente eu ainda estou aqui pra poder contar.