sábado, 14 de maio de 2011

DESAPEGO

Tenho que reconhecer que de fato a vida vai reestabelecendo seu curso.
Ainda que a gente não queria as coisas vão voltando à normalidade.
Uma normalidade diferente da que se tinha antes.
Antes eu tinha uma família, trabalho, amigos.
Hoje eu continuo tendo esses itens, entretanto a família já não tem mais os mesmos membros, o trabalho é em outro lugar e realizado de forma diferente, os amigos são os mesmos, mas talvez agora eu seja de fato capaz de indicar aqueles que serão pra toda a vida.
As prioridades também não são mais as mesmas e a solidão ainda apavora.
É uma nova realidade que se constituirá de novas etapas.
Essa semana talvez eu tenha enfrentado uma dessas novas etapas quando entreguei o carro do Germano pra venda.
Não era só um carro, era o desprendimento de um bem que significou o nosso primeiro passo como casal. Até então quem comprava os carros do Gê era seu pai e eu só tinha tido carros usados.
Foi o primeiro bem que adquirimos juntos a partir de uma decisão só nossa e de mais ninguém.
Fomos a agência, gostamos e compramos. Simples como comprar um par de havaianas.
Hoje talvez a gente nem tivesse comprado aquele modelo, mas na época significou que a gente não só tinha condições financeiras pra andarmos sozinhos como significou que já tínhamos maturidade e independência pra cuidar de nossas vidas.
Foi como se tivesse colocado a venda não só o carro, mas parte da nossa história.
Eu sei que era preciso fazer isso assim como algum dia vou ter que me desfazer dos pertences pessoais.
Cada passo de uma vez, um dia de cada vez.
Escrito em 12.05.11

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