domingo, 25 de dezembro de 2011

ENTÃO É NATAL

Não precisa dizer que foi o Natal mais trites da minha vida,
que não tive vontade de comemorar nada, que não comprei presentes e que o dia custou a passar...

Não vou me delongar nas dores e saudades que esse dia me fez sentir.
Vou apenas pedir pra que nos próximos anos eu chore menos.
Que nos próximos anos eu consiga desempenhar melhor meu papel de mãe.
Que nos próximos anos eu consiga encontrar novos sentidos pra vida.
Que meu filho seja uma criança feliz e saudável!

Gê, sei que você esteve conosco, que sorriu e chorou comigo!
Que Deus te ilumine e me dê forças pra continuar nessa guerra que muitos conhecem como VIDA.

Que venham as férias, longe de tudo e de todos...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

REMOENDO O PASSADO

Onze meses se passaram...
Há alguns dias venho criando coragem pra rever uns videos do Gê.
Um dia vi uma cena de poucos segundos e cai em prantos.
Me preparei pra ver o video todo.
Pode parecer masoquismo, é apenas um exercício.

Preciso aprender a conviver com o passado.
Preciso tentar não chorar ao vê-lo.
Preciso manter viva sua alegria e sua risada inconfundível.

Vi uma foto nossa no final da minha gravidez.
Parecíamos duas crianças esperando outra.
Ele fazendo pose pra foto e eu com cara de menininha de franjas.

Hoje parece que isto está tão longe.
Me olho no espelho e não enxergo a menininha.
Sofro pela ausência do Gê.
Agradeço por ele ter me deixado um motivo pra viver.

Estou agora tentando voltar a andar com as próprias pernas.
Cometi a sana insanidade de programar uma viagem a Caraíva.

Eu e o Gê nunca fizemos uma viagem roots pra Bahia.
Agora vou com o Nuno.
O pedacinho do Gê que ficou pra mim.

Uma verdadeira aventura.
Uma busca dentro de mim.
Uma vontade de me reencontrar.

Arrumando as malas choro.
De saudade;
De orgulho;
De medo...

Queria ter você aqui pro nosso primeiro Natal com o "pacotinho".
Queria ter você aqui pra ter pra quem dar presente.
Queria ter você aqui simplesmente pra poder voltar a sorrir.

Amor incondicional.
Amor pra toda a vida.
Amor que me faz levantar a cada dia tendo a certeza de que FOMOS MUITO FELIZES!

domingo, 11 de dezembro de 2011

NATAL DA GALERA

Ontem aconteceu nossa festa de Natal,
dizer que foi fácil é mentira, as gargalhadas do Gê fizeram imensa falta, principalmente na hora de roubar os presentes.

Passei a noite tentando evitar pensar nele pra não acabar chorando e estragando a festa de todos.

No fim da madrugada, depois de umas biritas foi inevitável e terminamos a noite falando da falta que ele faz, da sua irreverência, de todas as suas qualidades e da nossa historia como casal que eu não voltarei a repetir aqui.

Agora estou reunindo forças pra enfrentar a ceia de Natal com a família, essa sim vai ser uma grande barra.

Xuxu, fica com Deus, amo você pra sempre!
Você vai fazer falta sempre e em todas as ocasiões.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O FUTEBOL JÁ NÃO É MAIS O MESMO

Hoje mais uma vez teve o clássico Atlético e Cruzeiro.
Fiz uma feijoada e reuni a turma toda.
Foi um domingo daqueles que o Germano ia adorar.
Teve até o Nuno com camisa do Galo (ai meu Deus, disso não sei se o Gê ia gostar...)

Depois de tantos meses eu voltei a cozinhar, mas a noite cai e au não deixo de sentir sua falta.
Principalmente ao assistir a notícia de tantas mortes num acidente envolvendo um caminhão, como sempre...
Quantas jovens viúvas e até uma grávida de 8 meses que perdeu o marido antes do filho nascer.

É impossível não sentir a dor dessas pessoas, é impossível não chorar com elas, é impossível não sentir pena de todas nós.

O tempo passa e quando a gente acha que tá superando aparecem situações que simplesmente nos jogam no chão outra vez.
É uma guerra constante.

Essa semana mesmo tava no maior stress escolhendo uma escola pro Nuno, que inclusive ainda não consegui decidir.
Mesmo sabendo da grande chance da última palavra ser minha queria tanto poder te perguntar: e aí, o que você acha???

Que merda ter que decidir tudo sozinha!!!

Pior ainda foi chegar em casa cheia de dúvidas e assitir, meio que sem querer, a um video seu cheio de vida há meses atrás.

Que confusão de sentimentos...

A sua imagem não saiu da minha cabeça por horas e chorei compulsivamente como há meses já não fazia.

Saudade que vai durar a minha vida toda.

Entender sim, aceitar nunca...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

E VEM CHEGANDO O FIM DO ANO...

Recebi esses dias o convite da festa de Natal da minha turma.
Há 3 ou 4 anos a gente vem organizando a nossa festinha de Natal com um amigo oculto muito divertido.
Era pra ser só mais um convite, só mais uma festinha de Natal pra entrar no nosso album de fotos.

Infelizmente não é, vai ser legal mas incompleto...
Vão faltar as gargalhadas do Gê, sua irreverência e bom humor.

Eu que sempre fui uma das organizadoras e incentivadoras da festa hoje tenho um pouco de medo de como será minha participação nesse evento.
Na verdade eu não queria que o Natal existisse esse ano porque eu sei que vai ser muito duro viver uma final de ano feliz.

Dez meses já se passaram, o Nuno já engatinha e nós no ano passado que sonhávamos com a presença do pequeno na nossa festinha nunca podíamos imaginar que era o Gê quem ia faltar...

Meu Deus, me explica!

domingo, 13 de novembro de 2011

QUEM INVENTOU O AMOR, ME EXPLICA POR FAVOR...

Sempre que abro esse blog e vejo a foto dos meus amores me dá um aperto tão grande no coração.

É impossível não pensar como seria ter o Gê aqui vendo o Nuno quase andando, sorrindo e já fazendo suas travessuras. Ele que sonhou tanto com essa criança...tão injusto, tão inexplicável...

Eu tento não ficar remoendo isso, mas ainda não consigo aceitar que a felicidade dele tenha durado apenas 3 dias.

Acho tão injusto o Nuno crescer sem pai, o Gê ter ido tão cedo e eu ter ficado aqui pra suportar essa barra, carregar esse fardo.

Tem dias que dá vontade de sumir, de mudar completamente de vida e cair no mundo. Queria ter coragem pra isso mesmo sabendo que a dor vai me acompanhar sempre.

Amo tanto o Germano e queria poder dizer isso a ele mais uma vez, mentira, mais várias vezes!

Espero que ele me escute e tenha certeza que eu nunca, nunca vou esquecê-lo.

Te amo Xuxu e desejo de todo meu coração que, onde você estiver, esteja bem e seja mais forte do que eu pra poder suportar a nossa separação.
Nosso filho está adorável!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

DE VOLTA

Estive um tempo sem escrever porque me concedi o direito de fazer uma viagem.
Pela primeira vez deixei meu pimpolho pra trás e com o coração doendo me ausentei por uma semana inteira com uma amiga.
Enquanto estive fora fiz de tudo pra não pensar nos problemas e seria mentira dizer que nao consegui me divertir.
Tive momentos de muita alegria, principalmente porque estava na companhia de pessoas que amo e que hoje percebo com muita clareza que são minha verdadeira riqueza.
Agradeço todas as noites por ter tantos amigos e é isso mesmo, amigos, não simples colegas, tenho grandes e verdadeiros irmãos.

Infelizmente a volta é inevitável.
De um lado a alegria imensurável de ver meu filho, que aprendeu a engatinhar na minha ausência, snifff...
Do outro a tristeza de saber que dessa vez não vou sequer poder brigar com o Gê por ter deixado de me buscar no aeroporto em plena madrugada.

Quantas antagonices...

Dentro do vôo de volta chorei baixinho com o coração apertado por não ter o Gê mais junto de mim, por ainda não aceitar que isso vai durar o resto da minha vida.

Quem me vê sorrindo não imagina o quanto é difícil ser quem eu sou e levar a vida que levo, não imagina o quanto as noites são silenciosas e o quanto me custa olhar meu filhote e saber que ele será privado de conviver com o pai.

Enquanto digitava esse texto me veio à mente repentinamente uma frase que o Gê não se cansava de repetir. Parece que ele viu isso escrito em milho verde ou tabuleiro, se não me engano é algo assim:

"Se eu voltar enquanto estiver for, por favor, me segure..."

Sei que não faz nenhum sentido mas achei que devia registrar essa lembrança.

Fico por aqui...Nuno chora...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sempre Sim

Hoje, no caminho pro quarto parei de frente a cozinha e fiquei observando o piso novo.
Há tempos eu queria trocar aquela cerâmica por um belo porcelanato mas nunca achava um pedreiro interessado no meu pequeno serviço.
Quantas e quantas vezes eu falei disso pro Ge que só respondia: troca Xuxu, faz o que você quiser!!!
E hoje estava eu ali parada vendo a minha pequena obra concluída mas num podia perguntar se ele havia gostado muito embora eu tenha certeza da resposta: porra, ficou bacana demais hein! Teve a manha!
Quase posso ouvir suas palavras...

Só hoje me dei conta de que ele nunca me disse um nao.
Todas as minhas vontades e desejos ele sempre atendeu com um SIM.
O Germano era o homem do sim, nao dizia nao a ninguém, marcava mil coisas ao mesmo tempo mas era incapaz de negar algo.
Engraçado que so agora percebo que eu criticava essa atitude, ate porque ele adquiriu com isso a fama de enrolado, mas fui a maior beneficiaria dos seus sims.
Agora aqui deitada a cama e tao grande, a noite tao longa e a saudade imensa .
Queria te ter al meu lado pra ver o piso novo, pra fazer as minhas vontades, pra comer a minha comida.

Depois que você se foi nao voltei ao cinema nem assisti a um filme na TV.
Depois que você se foi fico inventando coisas pra ocupar o tempo e mudar a rotina.
Depois que você se foi meu sorriso ficou tímido e a minha grande vontade e... bem já num tem mais nada que seja grande...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

PASSEIO FELIZ

Saí daqui sem muitas expectativas, mas realmente a vida nos surpreende.
O feriado no Rio foi incrível.
Não só pela boa companhia dos amigos incríveis que tenho, mas pela liberdade de voltar a viver como se a vida não me tivesse sido tão cruel.

Pela primeira vez, nesses quase 9 meses de ausência, consegui me divertir sem culpa, sem sentir que eu ainda não tinha esse direito.

Triste foi ter que voltar pra rotina, pra casa com tantas lembranças que me fazem rir e chorar ao mesmo tempo.

Queria ficar lá pra sempre, mesmo sabendo que essa seria uma tentativa inútil de ocultar um passado que é imutável e que vai sempre fazer parte do meu presente.

O Nuno tá cada dia mais lindo e cheio de graças. Já ensaia um "mama" e um "papa" e eu começo a me preocupar como vou explicar pra ele que o "papa" num vai estar com a gente...pelo menos não fisicamente porque a presença dele vai estar sempre viva.

Eu não queria dizer ao meu filho que o pai dele virou uma esterlinha...
Também não queria dizer que morreu...

Assim como eu morria de medo de sair da maternidade com uma criança e não saber como cuidar espero que quando esse momento chegar eu saiba usar as palavras certas.

Encerro esse post agradecendo a Deus por ter vivido momentos felizes e por ter me dado de presente Nara e Elis...

E olha como são lindos nossos babies!!!


terça-feira, 11 de outubro de 2011

5 ANOS DE CASAMENTO

Na última 5ª, dia 06 de outubro, completou 5 anos do nosso casamento civil.
Na última 6ª, dia 07 de outubro, completou 5 anos do nosso casamento religioso e da nossa festa.

Foram dias inesquecíveis e pra não atrapalhar o brilho das lembranças evitei ficar pensando muito nisso. Simplesmente enfrentei e tratei como um outro dia qualquer.

Amanhã, dias das crianças e eu nem comprei um presente pro Nuno.

Essas datas ficam tão sem importância diante da dor de não poder compartilhá-las como Gê.

Me faltam palavras pra explicar com é viver assim...
Não dá pra continuar...

Até breve!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Dias melhores virão...

Tem dias que o fardo parece um pouco mais leve.
A vontade de chorar e desistir de tudo da lugar a um sorriso disfarçado.
Chego ate a pensar que da pra ser feliz a pesar de tudo.
O problema e descobrir como ser feliz novamente, como sorrir sem culpa.
Mas eu preciso tentar...
Nao e justo que o Nuno tenha uma Mae amargurada por toda a vida.
Afinal olhando pra uma carinha dessa da pra nao sorrir?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

EM BRASÍLIA 10 É 9 HORAS

Não tem um dia sequer que eu não me lembre de você e da sua irreverência.
Hoje mais uma vez cá estou eu em Brasília, onde você costuma vir sempre.
Pela segunda ou terceira vez venho despachar um mandado de segurança.
Seu forte eram os mandados de segurança e você se enchia de orgulho com as liminares ganhas.

Eu que nunca pensei fazer isso hoje sigo seus trilhos, muito embora não com tanto brilhantismo.

Agora pouco me lembrei de você contar repetidas vezes que todas as manhãs seu pai ia levá-los pra escola, te dava um tapa na perna e dizia: EM BRASILIA, 10 É NOVE HORAS!!!
Sempre que saíamos pro trabalho juntos você repetia isso pra mim e eu já podia até visualizar a cena.

Sinto saudades desses momentos que, hoje percebo, eram só nossos!

Não desejo que o Nuno seja advogado como nós, mesmo sabendo que isso te mataria de orgulho, mas preciso admitir que você não era só mais um advogado, você era "o cara".
Quem te conheceu na profissão sabe o que eu estou dizendo...

Na faculdade, com cabelos encaracolados, mais parecia o louco das histórias em quadrinhos. Era assim que eu te chamava: LOUCO.
E um dia você me disse: SOU LOUCO, LOUCO POR TI !!!
Você era um louco romântico, escrevia poesias e até me trazia umas florzinhas do campo.
Tinha uma inteligência invejável.
Na vida profissional passou alguns perrengues até que te dessem liberdade pra que você mostrasse o imensidão da sua competência.

Se o Nuno quiser ser advogado, que ele seja como você!
E que o nosso pequeno seja também um louco pela vida como foi você!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

31 Anos

Hoje o Gê completaria 31 anos.
Hoje estaríamos de ressaca pela curtição do fim de semana.
Hoje ele entraria pela porta e o Nuno bateria palminhas ao cantarmos parabéns pra você.
Hoje eu me pergunto porque você se foi tão de repente.
Hoje eu sinto raiva de Deus por ter te tirado de mim.
Hoje eu não consegui trabalhar e me doeu muito te dar de presente o seu nome na lápide.
Hoje não sou completamente feliz mas eternamente grata por ter sido parte da sua vida.
Hoje faço minhas as palavras da Cissa Guimarães na entrevista de ontem e digo:
- Se eu estivesse lá no puleirinho das almas e Deus me perguntasse se eu queria reencarnar pra conhecer uma pessoa, viver com ela uma linda história, ser mãe do seu filho, vê-la partir 3 dias depois e sofrer desesperadamente, eu diria: SIM
Porque viver ao seu lado por 7 anos, ser mãe do seu filho e ter certeza de que fomos feitos um pro outro valeu a pena demais.
Com você aprendi a ser uma pessoa melhor e por você vou enfrentar essa barra, vou carregar essa dor comigo até o fim sem me revoltar. Vou criar nosso filho e contar pra ele como você era bacana.
Dentro da sala de parto você disse que eu era uma guerreira. Essa palavra me marcou. Naquele momento eu não compreendi bem o que você queria dizer, mas hoje entendo perfeitamente.
Parabéns Xuxu, pelo seu aniversário, pela pessoa que você foi, pelas amizades que você conquistou, pelo presente que você me deixou.
Te amo pra sempre!

domingo, 18 de setembro de 2011

SEM PALAVRAS

Nao tenho mais escrito muito porque me considero repetitiva.
Eu nao consigo abrir esse blog sem ficar remoendo o passado.
Cada dia que passa a dor fica maior.
Nao sei ate quando vou passar as noites chorando em silencio.
To me preparando para o dia de amanha e já vi que vai ser mais uma batalha.
Nunca pensei que fosse "comemorar" o aniversario do Ge diante de sua sepultura.
Nunca imaginei lhe dar de presente uma placa de granito com seu nome, nascimento e óbito.
Ta doendo tanto!!!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

MUDANDO SEM NADA MUDAR

Hoje senti vontade de mudar a disposição dos móveis da casa e assim que o Nuno dormiu eu comecei.
Virei pra cá e pra lá até encontrar uma nova posição.
A princício acho que essa seria uma tentativa de movimentar a minha vida, fazer com que tudo parecesse novo de novo, mas confesso que dentro de mim eu estava a todo o tempo me perguntando se o Germano ia gostar da localização das coisas. Como se ele se importasse...
Desde que nos casamos tudo está do mesmo jeito, no mesmo lugar e eu queria muito que ele desse seu palpite. Ainda que pra ele não fizesse a menor diferença...
Eu tento mas não consigo tomar decisões por mim mesma sem ficar imaginando o que ele pensaria de tudo.
Todas as noite, quando dou mamadeira ao Nuno, fico me perguntando como seria se nós ainda tivéssemos o Gê. O que ele pensaria, o que faria, como seria a nossa vida.
Antes de engravidar eu ficava tentando imaginar como ficaria minha barriga, como seria a sensação de ter um bebê dentro dela, depois eu queria saber como seria a carinha do Nuno e qual seria a sensação de tê-lo dormindo no meio de nós dois. Hoje fico tentando imaginar como seria se o pai dele tivesse aqui.
A única diferença entre todas essas pequenas ilusões é que as primeiras eu pude e estou podendo comprovar mas nunca saberei o que é ter o Nuno dormindo entre nós dois e nem se o Germano acordaria quando ele tivesse febre a noite.
Esses sentimentos, ou a falta deles, me matam um pouquinho a cada dia.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Quase sem tempo

A correria do dia a dia nao tem me deixado parar pra escrever.
Tem hora que ate gosto porque assim também nao me sobra tempo pra sofrer.
Por outro lado fico com a impressão que também nao estou tendo o tempo que queria com o Nuno.
Enfim, nao me restam muitas escolhas e eu preciso trabalhar, trabalhar e trabalhar...

De repente virei Mae...
E pai também...
Mulher...
Homem...

Também acho que já fiquei repetitiva e fico esperando ter alguma novidade.
Infelizmente nao tenho porque os sentimentos nao mudam.
Na verdade fica cada dia mais e mais difícil.
Chega a ser desesperador quando penso que será assim pra sempre.
Esta apenas começando!

Queria poder dizer que já consigo achar que vai dar certo.
Mas na verdade nao sei se vai.
Alias num sei de mais nada.
Boa Noite!!!

domingo, 21 de agosto de 2011

FIM DE SEMANA DIFÍCIL

Na noite de quinta pra sexta comecei a passar mal e pra piorar tudo eu precisava ir a Brasília logo pela manhã.

Não bastasse estar me sentindo péssima era também a primeira vez que eu desempenhava uma função que eu considerava a cara do Germano.

Acordar antes do sol raiar, ir pro aeroporto, voar até Brasília, resolver algumas pendências e voltar no fim do dia... simplesmente não era eu, era ele...

No sábado, dia 20 de agosto, continuei não me sentindo bem e mal levantei da cama.

Senti tanta falta de ter alguém pra poder me ajudar, mais do que isso, de ter o Gê pra poder ficar com o Nuno enquanto eu me recuperava, afinal o Germano nunca teve lá muita paciência pra cuidar de mim, muito embora eu não me lembre de ter passado mal por tantos dias.

Queria só ter ele por perto pra poder domir tranquila, pra poder deixar toda a responsabilidade com ele, enfim, ter mesmo um companheiro...

Percebi que essa foi só a primeira de sabe-se lá quantas vezes isso irá acontecer.
Percebi que não posso ficar nem doente senão tudo meio que foge ao controle.
Nunca tinha pensado nisso!

E hoje, passeando com o Nuno como faço todos os domingos, tive muita vontade de desistir, de largar tudo pra lá e viver só por conta do meu filho.

Queria ter coragem pra isso...
Queria poder sumir por um tempo...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

CASAMENTO DA JU

No último dia 13 aconteceu o casamento de uma grande amiga no Rio de Janeiro.
Nos últimos tempos o Germano só falava disso.
Seria nossa primeira viagem sozinhos depois do nascimento do Nuno e muito embora ainda faltasse tempo pro Nuno nascer o Germano já havia deixado tudo combinado. Seus pais ficariam com ele pra que a gente pudesse viajar sem preocupações.

Logo que o Gê se foi a Ju quis adiar o casamento. Tanto eu como o pai do Gê pedimos que ela não fizesse isso porque ele não ia concordar e assim ficou decidido.

Ele já não poderia estar presente lá fisicamente, e nem seria padrinho comigo, mas tenho certeza que ele deu pelo menos uma passadinha pra ver como estávamos todos.

Deixei sua foto na minha carteira a noite toda e mantive a pose de mulher forte e "feliz" enquanto pude.
Já na hora de ir embora me bateu um sentimento tão devastador e eu só queria ir pra casa, ficar sozinha...

Ao entrar no taxi desabei.
Chorei até que o dia ficasse claro e desde que o Gê se foi eu nunca tinha sentido tanta saudade.

Não era só o casamento da Ju nem a nossa primeira viajem depois do neném, era também dia dos pais, o primeiro dia dos pais...
Passei o dia dormindo e com o coração pequenininho.

Não falei pra ninguém que eu estava triste e até acho que disfarcei bem, mas a verdade é que foi muito difícil enfrentar mais essa etapa sozinha.

Não sei mais o que dizer e nem como explicar o quanto tem sido difícil.
Às vezes tenho vontade de desistir e só não faço isso porque acredito que eu preciso carregar esse fardo. Essa talvez seja minha sina, meu destino, meu carma...sei lá...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

CADA VEZ MAIS DIFÍCIL

Às vezes a gente acha que o tempo vai passar e que vai ser mais fácil lidar com essa nova realidade.
Infelizmente não tem sido assim e quanto mais o tempo passa mais difícil fica.

A saudade é imensa e transborda pelo olhos.
Por mais que eu tente ser forte eu preciso admitir que eu não tô dando conta.
Vivo sem muitas esperanças e perspectivas, o futuro já não importa mais.

Vez ou outra aparece uma pessoa que ainda não sabe de nada e ter que reviver tudo de novo é cada vez mais dolorido.

Os detalhes vão se apagando e a gente morre de raiva de já não poder reproduzir palavras, gestos, sensações...

Sinto um imenso vazio e tenho a impressão de que isso nunca vai passar.

Fico olhando as fotos e desejando poder vê-lo de novo aqui, em carne e osso.

Daqui a pouco passa faz um ano e eu tenho medo de olhar pra trás e perceber que a minha vida também acabou.

Queria poder entrar nesse blog e dizer coisas bonitas, ser mais otimista e alegre mas no fundo no fundo não é assim que eu me sinto e por debaixo da armadura que eu visto tem uma pessoa frágil e completamente desesperada!

O Germano era meu porto seguro, sem ele sou só mais um barco a deriva.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

FALTA DE TEMPO

Tem sido cada vez mais difícil encontrar tempo pra escrever.
É que o Nuno tem 6 meses e já não dorme durante o dia, dá muitos gritos e me cobra atenção sempre que chego em casa.
É uma delícia mas ao mesmo tempo é trabalho dobrado.

Não vou mais a academia, não tenho mais hora pra comer e sair pra tomar uma cerveja demanda toda uma programação com antecedência e ainda corro o risco de ter que voltar antes de terminar o primeiro copo.

É muito difícil ter um filho "sozinha" e como toda mãe que por algum motivo não tem o companheiro pra ajudar a gente fica querendo suprir a falta.
Fica querendo aproveitar todos os minutos, principalmente eu que sei o quanto vale cada momento.

A vida passa tão rapidamente que fico com medo de perder alguns detalhes, e eu não estou querendo perder mais nada.

Daqui pra frente espero ganhar...

Antes de finalizar quero deixar registrada aqui minha homenagem ao Graziel, hoje completa um mês que ele se foi.
Mais um jovem que deixa esse mundo louco sem qualquer explicação, mais uma insensatez dessa vida maluca.
Desejo que a mãe dele seja forte o bastante pra não enlouquecer, porque se perder o marido me tirou o chão eu nem quero imaginar o que pode ser perder o único filho!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

FORÇAS A MÍNGUA

Na semana passada completou o sexto mês sem o Gê.
Várias coisas se passaram pela minha cabeça e continuam passando.
Parece que só agora eu percebo a real dimensão de toda essa transformação que minha vida sofreu.
Até aqui eu tinha a impressão que as coisas iam chegar ao seu lugar, de certa forma era como se eu acreditasse na possibilidade do Germano voltar.

Doce ilusão...

De novo me falta o chão e tenho tido muita vontade de desistir.
Acordar pela manhã e saltar da cama voltou a ser um grande sacrifício e eu queria mesmo era nem ter que tirar o pijama.

Não sei mesmo como será...

A cada nova risada do Nuno fico pensando em como seria bom dividir isso com o Gê.
Me dói profundamente não poder vê-lo ser pai, não poder dividir com ele as noites em claro, as evoluções diárias do nosso lindo bebê.

Tanta coisa por fazer, tantos sonhos não realizados.
Me sinto sem forças e um tanto quanto exausta.

terça-feira, 19 de julho de 2011

NUNCA ESTAMOS PREPARADOS

Evitei o quanto pude, posterguei ao máximo.
Infelizmente chegou a hora e o email que eu evitava abrir há tempos precisou ser impresso hoje.
Era o laudo do IML e junto com ele todos os detalhes do ocorrido.
Não vou ficar pormenorizando o que eu li porque ninguém, ninguém mesmo, merece ler ou saber de detalhes tão cruéis.
Eu mesma sei que não devia ter lido o laudo, mas e quem consegue simplesmente ignorar aquilo, impresso ali na sua mão???
Logo na primeira página a gente vê o quanto é banal e vulnerável a vida.
Nem sei explicar o que senti.
Raiva, medo, tristeza e até insegurança por viver num mundo tão cruel.
O tempo passa e a vida vai tomando novos rumos.
A ausência se instala e às vezes a gente até acha que dá pra seguir assim, manco de uma perna, com o coração partido, a ferida ainda meio aberta.
É uma saudade sem fim, uma vontade de gritar sem parar...
Um medo de ser pra sempre assim.
Que saudade da tampa da minha panela, da pessoa que me fazia sorrir todos os dias e que deu um novo rumo a minha vida.
Fico aqui assentada olhando a sua foto e não consigo acreditar que não vou mais poder te tocar, te ouvir gargalhar.
Agora você é um anjo que toma conta de mim.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

TRABALHANDO POR 2

Os dias têm sido muito, muito corridos.
Saio cedo, chego tarde, fico torcendo por Nuno ainda estar acordado.
Trabalho nunca me assustou, mas também nunca foi tão necessário.
O dia passa e eu nem vejo.
A vida anda voando e eu já não tenho muito tempo pra ficar remoendo nada.
Confesso que tenho evitado parar pra pensar, não me perco mais em devaneios e nem tento ficar encontrando justificativas pro inexplicável.
Espero que o Gê compreenda que só assim tenho tido um pouco de paz espiritual.
Continuo me lembrando dele diariamente até porque tanto nas horas de alegria quanto nas de dificuldade é nele que penso e sinto uma falta imensa...
Mas aí, paro de pensar senão logo me dá vontade de chorar e eu não quero mais. Preciso ao menos tentar enxergar a tal luz no fim do túnel ou então optar por pirar de vez.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

2011, QUERO MAIS NÃO!

Terça-feira, 05 de Julho ainda pela manhã recebi a noticia do falecimento de um amigo que morava nos EUA.
32 anos, cheio de alegria e planos, morreu dentro de uma jacuzzi.
Ontem filho único, provendo a mãe que já não o via há anos, hoje quase enterrado como indigente na terra do Tio Sam.
Dá pra explicar???
Dá pra fazer uma mãe entender isso?

Hoje o noticiário mostrou o desfecho de um acidente ocorrido em 28 janeiro onde uma carreta (elas sempre estão no meio das maiores tragédias) bateu em sei lá quantos carros e matou acho que 5 pessoas e feriu ao todo 12, dentre elas uma criança de 2 anos faleceu enquanto sua irmã mais velha de 4 anos ficou em estado grave e recebeu alta hoje, não fala nem anda mais. Os pais, esses eu reconheci pela TV, o marido já vi em algumas ocasiões no meu ambiente de trabalho e a esposa fez algumas disciplinas comigo enquanto estava grávida da mais nova que não sobreviveu.
Dá pra entender ou explicar isso também???

Logo que perdi o Germano eu me senti a pessoa mais solitária do mundo, achei que só acontecia comigo.

Aí veio a Nara, hoje minha amiga, e me contou que viveu uma situação muito parecida com a minha. Ficou viúva de um amigo do Gê aos 25 anos e assim como eu também cria a pequena Elis sozinha e com muita garra.

Mesmo vendo tragédias como a da região serrana do Rio no começo do ano, só hoje me caiu a ficha e percebi que todo mundo já viveu ou conhece um caso como esses. Pela primeira vez eu pensei que talvez essa mãe das duas meninas estivesse sofrendo mais do que eu. Pela primeira vez eu não achei que a minha dor fosse a maior do mundo e tive muito medo de ter que enfrentar uma situação dessas de novo.

É assutador imaginar que o fato de ter perdido o Gê não me torna imune e que nada é tão ruim que não possa piorar.
Sarcástico? Sim.
Pessimista? Completamente.
Impossível? Não.

Infelizmente essa é a dura realidade.
Viver é um grande desafio e pra morrer, basta mesmo estar vivo.

Que Deus nos dê forças e muita sabedoria pra lidar com todos esses desafios.
Que nos dê também novos motivos pra continuar a viver porque de fato não tem sido fácil pra ninguém.

domingo, 3 de julho de 2011

PENSAR, SÓ PENSAR

Essa última semana foi tão difícil...
Não fiquei um dia, uma hora, um minuto sequer sem pensar nessa minha louca vida.

Quero colo, quero paz, quero voltar a viver.

Saudade, muita, muita saudade!

sábado, 2 de julho de 2011

UM PASSO A FRENTE E DOIS ATRÁS

O sábado passado foi um dia de muita alegria e diversão pra mim, entretanto hoje está sendo exatamente o contrário.
É tão estranho não ter mais domínio dos sentimentos.
Sempre que eu acho que eu estou começando a superar eu desmorono de novo.

Essa semana toda, hoje especialmente, eu senti tanta, mas tanta saudade do Germano.
Eu tenho evitado ver fotos, vídeos e até pensar.
Eu fiquei a semana inteira me ocupando de várias outras coisas pra ver se conseguia driblar esse nó que fica preso na garganta, mas simplesmente chega um ponto que a gente explode.

Hoje foi assim.
Estava com o Nuno no colo e sem razão aparente ele começou a rir e se agitar como se estivesse vendo algo muito engraçado, mas na verdade ele tava apenas olhando pra parede do quarto.

Eu tive muita vontade de chamar o Germano pra ver que graça o nosso pequeno tava fazendo e por um minuto eu até esqueci que isso não era possível.

De repente, enquanto o Nuno ria do nada e para o nada eu chorava por tudo e sentia de novo aquele aperto no peito que chega a doer.
Voltei a sentir medo e um certo desespero de não conseguir tocar adiante.

Desejei tanto que fosse um sonho, fiquei olhando pra foto do Gê e perguntando: - Por que com a gente?

Será que um dia isso passa???

domingo, 26 de junho de 2011

SENTIMENTOS CONFUSOS

Hoje termina o feriado prolongado de corpus christi.
Tive um feriado e um final de semana bem diferente dos demais.
Pela primeira vez, nesses quase 7 meses de angústia e sofrimento, eu me diverti muito.
Me senti leve, feliz, viva...
Pela primeira vez eu fui capaz de sair de casa e me entregar a alegria, fazer de conta que a vida é bela.

Entretanto, no caminho de volta não pude deixar de pensar que talvez ainda estivesse cedo demais pra sentir essa alegria, mas por outro lado será que existe um tempo certo pra isso?

Um monte de perguntas sem respostas comaçaram a me assumbrar e por fim eu fiquei chateada ao entender que por mais bacana que tenha sido sempre vai estar faltando alguma coisa porque eu não vou mais poder chegar em casa e contar pro Germano o quanto foi devertido ir a show do Jorge e Matheus, nem muito menos vou poder insistir com ele pra me levar a um desses.

É estranho como a gente muda de humor de uma hora pra outra e como a tristeza consegue destruir a alegria de forma tão instantânea.

Por um lado a gente quer superar, quer provar pra si mesma que consegue, que vai ficar bem e aí, quando a gente chega bem perto de levar isso a efeito a gente sente culpa.

Culpa por ter vivido um momento de alegria, por ter efetivamente se divertido com algo que era antes tão corriqueiro...
Culpa por estar sorrindo ao invés de continuar chorando...
Culpa por voltar a viver ainda que de maneira simplista e sem muitas ambições...

Todo mundo me diz que preciso recomeçar, preciso tocar a vida pra frente, encontrar novos objetivos, etc e tal.
Falar é tão fácil quanto ouvir tudo isso.
Difícil é botar em prática, é não ter medo de ser feliz.

Aliás, depois de tudo o que eu tenho passado eu nem acredito mais em felicidade.
Pra mim a vida é feita de momentos felizes como esses que eu tive durante o feriado, mas felicidade plena, isso pra mim nem existe mais.
Ninguém é plenamente feliz. Ou é???

De tudo isso que eu disse a única coisa que posso de fato afirmar é que o Germano levou com ele boa parte da minha alegria e talvez por isso hoje seja tão difícil eu lidar com esse momentos.

É muito difícil encarar que ele, que era meu presente e meu furturo, agora esteja atrelado ao meu passado.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

FELICIDADE

Hoje, corpus christi, passamos um dia muito tranquilo mas divertido.
Família, amigos, comida boa e um papo agradável.
Por várias vezes nos lembramos e falamos do Gê, inevitável né?
Rimos da sua irreverência e claro, sentimos saudade.
Inusitado mesmo foi não termos chorado nem ficado triste.
Acho que pela primeira vez consegui me lembrar dele só com alegria e por uma momento eu até consegui reproduzir a sua gargalhada em minha cabeça.
Hoje posso dizer que estou me sentindo feliz...

sábado, 18 de junho de 2011

SEM EXPLICAÇÃO

Essa semana passei pela primeira vez no local do acidente do Gê.
Simplesmente inexplicável e quase que inacreditável alguém ter morrido de maneira tão cruel.
Se antes já era difícil imaginar como tudo aconteceu agora é quase impossível.
Pra mim é um mistério e eu só posso dizer que é porque havia chegado a hora, muito embora eu nem saiba mais se acredito mesmo nisso.

Só sei que depois de todo esse pesadelo os meus finais de semana ficaram mais longos e sem cor.

Imagine que no sábado anterior a essa "fatalidade", se assim pode ser chamado, eu pedi ao Germano que ficasse em casa comigo pra que a gente pudesse domir bastante já que seria o nosso último sábado sozinhos e com tranquilidade pra descansar.

Mal sabia eu que realmente aquele seria nosso último sábado juntos...

Hoje sinto não só a falta do Germano marido que fazia questão de ser o provedor da casa.
Sinto falta de coisas tão simples e banais como poder sair pro supermercado e deixar o Nuno com o pai dele.
Sinto falta de ter alguém pra poder dizer de madrugada quando o Nuno acorda: - Vai lá, hoje é sua vez!
Sinto falta de ter com quem dividir os assuntos de trabalho, alguém que não só me entendia como me dava várias lições de sabedoria.

Queria ter certeza de que o Nuno ia ter alguém pra ensiná-lo a jogar bola e andar de bicicleta...
Queria que o Gê tivesse aqui escutando o Nuno dar seus primeiros gritos, suas primeiras garagalhadas...
Queria ele pra carregar o bebê conforto...

Enfim, queria muito o pai do meu filho bem pertinho de mim!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

MOMENTOS

Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
(Clarice Lispector)

domingo, 12 de junho de 2011

DIA DOS NAMORADOS

Dizer que está sendo um dia comum é mentira, seria enganar a mim mesma.
Eu de fato não me lembro de ter feito grandes comemorações no dia dos namorados, pra nós não era nada assim tão grandioso.
Entretanto, no ano passado fizemos algo diferente, fomos passear no museu do Inhotim e depois almoçar em Brumadinho.
Estávamos com outros 2 casais.
Naquele dia rimos muito e nos divertimos bastante.
Não sei se nos demos presentes, sei apenas que estávamos muito felizes por estarmos começando uma nova fase já que havia pouco tempo que eu tinha descoberto a gravidez.
O nosso último dia dos namorados foi tão gostoso que eu não pude deixar de lembrar disso o dia todo, parece que foi uma despedida.
Queria muito poder estar hoje com o Germano, ainda que fosse só pra ficar em casa embaixo das cobertas.
De certa forma o dia foi vazio e agora me pego aqui escrevendo e tentando mais uma vez entender o porque das coisas.
Apesar de tudo que já passei, e quem me conhece sabe do que eu estou falando, eu tinha tudo pra ter uma vida feliz e plena.
Nós estávamos nas nossa melhor fase não só profissional mas como casal.
Já tínhamos atingido um grau de cumplicidade e respeito invejáveis, éramos de fato muito felizes.
Eu sou uma pessoa que sempre trabalhou muito e nunca teve medo de lutar pra alcançar meus objetivos mas hoje já não sei qual o sentido disso.
Lutar pra quê? Pelo quê?
Tenho certeza que muitos vão dizer: - Pelo seu filho sua tola!
Infelizmente não é tão simples assim e muito embora exista dias que eu tenho certeza de que vou conseguir há também dias, como hoje, que eu não tenho a menor condição de enxergar um futuro promissor.
Não sinto só saudade do Germano marido, sinto falta do Germano amigo, companheiro que dava uma gargalhada gostosa e me telefonava o dia todo. Sinto falta até de brigar com ele pra abandonar o futebol aos domingos e passar mais tempo comigo.
Sinto falta daquele homem que nunca deixou de ser criança e fez da minha vida um filme de comédia romântica.
Que saudade de nós dois...




quinta-feira, 9 de junho de 2011

ENFIM JUNHO

Vontade de escrever eu tenho diariamente, principalmente quando deito pra dormir.
Todas as ideias, medos, ansiedades chegam ao mesmo tempo.
É uma avalanche de sentimentos e emoções.
Ao mesmo tempo que tenho vontade de rir também tenho vontade de chorar.
Me pego rindo sozinha ao lembrar das bobagens que dizia o Germano, das suas mulecagens, do seu sorriso meigo.
Me pego derramando algumas lágrimas pela falta que eu sinto, por saber que não vou mais dividir com ele as minhas preocupações, os meus anseios e até as minhas vitórias.
Fico pensando se eu tenho sido uma boa mãe e sempre que preciso tomar alguma decisão eu tento imaginar o que ele decidiria também.
Trabalhar pra nós dois tem sido duro, não só pelo acúmulo das funções mas também porque ele era de uma sabedoria invejável e eu sinto muita falta das conversas de trabalho que nós tínhamos.
Nós não dividíamos apenas a vida a dois, dividíamos a profissão, as esperanças, as vontades...
Se existe alma gêmea eu realmente não sei.
Sei tão somente que eu tive a grande oportunidade na vida de ter encontrado alguém que me completasse.
Domingo que vem é dia dos namorados e vai ser mais uma vez muito difícil não poder dividir esse momento com você.
Espero que você esteja bem e que olhe sempre por nós.

terça-feira, 31 de maio de 2011

ULTRAPASSANDO BARREIRAS

No último sábado, dia 28 de Maio, tomei coragem e pela primeira vez sai com os amigos.
Foi um dia cheio de coisas e eu estava muito cansada.
Quase desisti, mas tinha prometido pra mim mesma que eu ia tentar.
E assim foi feito.
Coloquei uma roupa e fui pra balada.
Chegando lá me senti um peixe fora d`agua, a roupa não combinava, a fila estava enorme e eu já não entendia mais o propósito daquilo tudo.
Se eu não estivesse de carona, talvez tivesse voltado pra casa.
Felizmente eu fiquei e foi ótimo.
Não só por ter conhecido a Nara, mas por ter conseguido me divertir sem ter culpa.

As pessoas costumam dizer que a gente precisa dar a volta por cima, refazer a vida, etc...
Mas quando percebem que a gente não chora mais todos os dias e consegue até manter um sorriso no rosto dizem que ainda tá muito cedo!!!
Eu mesma me condeno. Ao mesmo tempo que desejo que a dor diminua, quando me acho um pouco mais forte, me culpo por isso.
O ser humano é cheio de contradições e essa seria só mais uma delas.

Eu costumava dizer que não importo com o que os outros dizem, mas é mentira, a gente se importa sim.

Não quero que me julguem mal por eu estar apenas tentando seguir adiante.
O fato de sair uma vez ou outra não me tira o status de jovem viúva.
Não me tira a dor e o fardo de ter que criar um filho sem pai.
Não minimiza o sofrimento que eu vou carregar pra sempre.
Apenas mascara o vazio que ainda existe e que também vai existir pra sempre.

Viver essa realidade sem o Germano, sair sem a companhia dele é tão difícil quanto ficar em casa relembrando os bons momentos.

Espero que as pessoas entendam e não me julguem por atitudes isoladas.
Estou apenas tentando enxergar a tal luz que fica no fim do túnel.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

TRAVESSIA

Tive um dia super corrido e ao chegar em casa fui presenteada com uma caneca estampada com uma foto sua quando bebê e os seguintes dizeres: PARA ESTAR JUNTO NÃO É PRECISO ESTAR PERTO!

Confesso, tive muita, muita vontade de chorar, mas me segurei e saí a francesa da sala.

Depois de terminadas também as tarefas domésticas tive vontade de ver um video seu.
Precisa ouvir sua voz.
Não encontrei.
Revi nosso álbum de fotos.
Chorei feito criança.
Chorei com a mesma dor e desespero do dia do seu enterro.
Tive vontade de gritar, de pedir socorro.
De repente me voltou aquela dor física.
Ouvi Travessia do Milton Nascimento e a letra dela diz simplesmente tudo o que está dentro de mim.

Quanta saudade.
Tem momentos que eu desejo que minha vida passe bem rápido só pra eu não ter mais que sofrer.

Sem condições de continuar a escrever...
Pode parecer mentira mas ainda não consigo acreditar que você se foi.

Milton Nascimento - Travessia

Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho prá falar
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar
Vou seguindo pela vida me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver
Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar

domingo, 22 de maio de 2011

LEMBRANÇAS

Passei o dia estudando e nos poucos momentos de distração assisti a vídeos da infância do Germano.

Que criança linda foi ele.
Educado, inteligente, extrovertido...

Desejo que meu filho herde do pai essas qualidades e seja detentor de um caráter e inteligência invejáveis.

Saudades de você xuxu.
Queria ter você pra esquentar meus pés e acalmar meu coração.

sábado, 21 de maio de 2011

4 MESES

Ontem fez 04 meses que o Germano nos deixou.
Às vezes parece uma eternidade, às vezes parece que foi ontem.

Algumas lembranças são muito vívidas, outras já não tão claras.

A saudade chega a doer.
A falta é insuperável.
A vida nunca mais será a mesma.

Tudo ainda me parece um sonho.
As roupas continuam no lugar e até a escova de dentes.
Toda vez que eu tento mexer eu desisto.
Sei bem que o Germano era uma pessoa sem apegos e sou eu que sofro por não conseguir me desfazer de seus pertences.

Fico evitando ver fotos, assitir a vídeos mas mesmo que eu não os assista tudo se passa na minha cabeça como um filme.
Sempre que estou sozinha choro.

Estou tentanto andar pra frente e dar novos significados à minha vida.
Anseio o dia que eu possa me sentir feliz novamente, se é que isso será possível...

Antes eu tinha medo de morrer.
Hoje eu já prefiro que a minha vida passe rápido.

Eu era uma pessoa sem medos, sonhadora, alegre e otimista.
Já não me conheço, não quero mais o que queria antes e morro de medo de ficar sozinha.

terça-feira, 17 de maio de 2011

CARTA AO GERMANO

Gê,
Hoje nosso pequeno completa 04 meses de vida. Ele tá tão lindo!
Eu tenho tido tanto trabalho que nem pude me dedicar a ele como queria.
Eu não me queixo de trabalhar, você sabe bem que eu nunca tive preguiça e que tudo o que conquistei até aqui foi fruto de muito trabalho.
Me lembro de nós na época da faculdade quando você ia me buscar na Pizzaria. Ficava lá sentado tomando uma cervejinha e batendo papo até que eu e as outras meninas terminávamos tudo.
Algumas vezes a gente saia, outras, você simplesmente me levava pra casa.
Você saia lá da Pampulha só pra me pegar na pizzaria que era no Anchieta e me deixar em casa há poucos quarteirões dali.
Fazia de um tudo pra me conquistar e pouco a pouco isso foi mesmo acontecendo.
Desde que nos casamos nunca me imaginei vivendo sem você e ainda não me imagino.
É ainda inaceitável pra mim.
Tenho você hoje longe dos meus olhos, mas sempre bem perto do coração.
Te levo comigo sempre e quero que saiba que eu ainda sofro muito pela sua ausência mas não tenho revolta.
Eu não peço mais a Deus que me tire o sofrimento, peço apenas força e sabedoria pra saber lidar com ele e assim conseguir continuar a viver e a criar o nosso filho da melhor forma possível.
Parabéns ao Nuno e nós dois que de uma forma ou de outra desempenhamos bem a tarefa de gerar um filho.
Saudades.
Prece de Cáritas

Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade! 

Deus, Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso. 
Pai, Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!

Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor,  para aquele que vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.

Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas  fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão. 
E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.

Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.

Assim Seja.

domingo, 15 de maio de 2011

SERÁ QUE ISSO PASSA?

Imagina que hoje me peguei assistindo à final do campeonato mineiro.

Acho que faço isso como forma de manter a presença do Germano.
Se ele ainda estivesse entre nós, certamente estaria assistindo ao futebol e sem querer foi o que eu também fiz, mesmo sem gostar.

Ainda que o fim de semana seja agitado nada ocupa o vazio que ainda existe.
A noite sempre vem e junto com ela um monte de lembranças.

Na noite passada sonhei que tínhamos nos reencontrado.
Eu só pedia que ele me abraçasse porque eu estava com muita saudade.

Foi um abraço tão apertado...
Pena que foi só um sonho...



sábado, 14 de maio de 2011

DESAPEGO

Tenho que reconhecer que de fato a vida vai reestabelecendo seu curso.
Ainda que a gente não queria as coisas vão voltando à normalidade.
Uma normalidade diferente da que se tinha antes.
Antes eu tinha uma família, trabalho, amigos.
Hoje eu continuo tendo esses itens, entretanto a família já não tem mais os mesmos membros, o trabalho é em outro lugar e realizado de forma diferente, os amigos são os mesmos, mas talvez agora eu seja de fato capaz de indicar aqueles que serão pra toda a vida.
As prioridades também não são mais as mesmas e a solidão ainda apavora.
É uma nova realidade que se constituirá de novas etapas.
Essa semana talvez eu tenha enfrentado uma dessas novas etapas quando entreguei o carro do Germano pra venda.
Não era só um carro, era o desprendimento de um bem que significou o nosso primeiro passo como casal. Até então quem comprava os carros do Gê era seu pai e eu só tinha tido carros usados.
Foi o primeiro bem que adquirimos juntos a partir de uma decisão só nossa e de mais ninguém.
Fomos a agência, gostamos e compramos. Simples como comprar um par de havaianas.
Hoje talvez a gente nem tivesse comprado aquele modelo, mas na época significou que a gente não só tinha condições financeiras pra andarmos sozinhos como significou que já tínhamos maturidade e independência pra cuidar de nossas vidas.
Foi como se tivesse colocado a venda não só o carro, mas parte da nossa história.
Eu sei que era preciso fazer isso assim como algum dia vou ter que me desfazer dos pertences pessoais.
Cada passo de uma vez, um dia de cada vez.
Escrito em 12.05.11

domingo, 8 de maio de 2011

DIA DAS MÃES

Querido Nuno,

hoje foi nosso primeiro dia das mães com você já fora da minha barriga.
Eu pensei que fosse ser um dia triste mas felizmente não foi.

Se eu pensei no seu pai?
Claro, todos os dias eu não só penso como morro de saudades.

O que nós fizemos?
Nós fomos almoçar no mesmo restaurante em que comemoramos a formatura do seu pai.
Naquele dia ele tinha 2 namoradas, eu e a "ex" com quem ele tinha namorado 6 anos e acabara de terminar.
Essa situação deixou ele bastante embaraçado e não consigo deixar de lembrar disso todas as vezes que voltamos lá.
Parece que foi ontem!

Depois do almoço nós viemos pra casa e eu precisava ocupar o tempo então decidi terminar a arrumação dos armários.
É que eu já tinha transferido as coisas do seu pai pra um lado só do armário, deixando boa parte livre.

Se eu dei as roupas dele?
Não, ainda não tive coragem.
Coloquei tudo arrumadinho só de um lado e ocupei o outro com as minhas próprias roupas pra não criar mais uma vazio nas nossas vidas.

Se foi difícil?
Foi sim, muito.
Cada camisa que eu transferia pro outro lado eu me lembrava de uma história.
Queria poder contar aqui cada uma delas.
Certamente o seu pai sabia muito menos das roupas dele do que eu.
Eu me lembro cada ocasião em que foram compradas, quem deu as que foram presente de amigos, as que ele mais usava, as que mais tinham a cara dele e que eu talvez guarde pra vc.
Terminei a arrumação abraçada a uma camisa cinza escuro com gola "V" que compramos em nossa última viagem a Buenos Aires.
Nos últimos tempos ele estava sempre com ela.
Ainda tem o cheiro do perfume.
Meus olhos marejaram.
Fechei o armário.

Sabe meu filho,
várias pessoas hoje se lembraram de nós.
Digo nós porque se não fosse você hoje não seria meu dia.
Fiquei surpresa de receber tantos telefonemas e mensagens.
Fiquei triste por não termos seu pai pra comemorar com a gente e saber que vai ser sempre assim.

Enquanto eu arrumava o armário você e seu tio assistiam ao clássico Atlético e Cruzeiro disputando a final do campeonato mineiro.
Se seu pai estivesse aqui ele teria saido mais cedo do restaurante pra não correr o risco de perder nem um minuto do jogo.
Ele era fanático.
Se auto intitulava um "prostituto futebolístico", desde que não fosse contra o Flamengo ele torcia pra qualquer time e sempre repeita: eu quero é ver gol!

Não sei pra qual time você vai torcer e isso não faz a menor diferença pra mim.
Seu pai ia gostar muito que fosse pro Flamengo, e sabe de uma coisa? Se depender de mim nós vamos realizar essa vontade dele e você vai sim ser Flamenguista!

Seu pai se foi sem ter ido ao Maracanã.
Aliás, ele foi, mas pra assistir ao show da Madonna.
Ele não se cansava de repetir esse caso.
Flamenguista doente, só foi ao Maracanã uma única vez e ainda por cima pra ver a Madonna.
Foi o melhor show que assistimos e esse fim de semana foi muito especial pra nós.

Bom, o galo ganhou mas ainda não é campeão, tem mais um jogo.
Eu vim pro computador te escrever essa cartinha contando como foi nosso dia.

De certo não foi como nós queríamos e havíamos planejado mas vamos ter que nos habituar a comemorar assim mesmo.

Que o papai esteja nos iluminando de onde ele está e que as nossas vidas aos poucos possam adquirir novos significados.

Você dormiu há poucos minutos.
Tenha bons sonhos.
Fique com Deus.
Te amo.

Mamãe.

terça-feira, 3 de maio de 2011

DE VOLTA AO TRABALHO

Essa semana voltei de fato ao trabalho.
Ontem, pela primeira vez fui ao escritório do Germano, e mais, passei a "ocupar seu lugar".
Claro que quando digo - ocupar seu lugar - não pretendo ser como ele, nem fazer com a mesma perícia tudo que ele fazia. Quero dizer apenas que assumi algumas de suas atribuições e que vou me empenhar em ser tão competente quanto ele.

Espero que um dia, quando o Nuno puder ler e compreender tudo que eu venho escrevendo, ele saiba que o Gê, apesar de muito jovem era um grande advogado.
Uma das pessoas mais inteligentes e competentes que eu já conheci.

Quando fizemos a prova da OAB, enquanto eu passava o dia todo estudando o Gê saia pro estágio.
A noite eu ia lhe contar algo que eu havia aprendido toda entusiasmada, como se tivesse feito uma grande descoberta, ele vinha e simplesmente me dava uma aula sobre o assunto, inclusive com fundamentos filosóficos!!!

Era incrível como ele se lembrava de aulas dos primeiros períodos da faculdade enquanto eu mal podia falar o que eu havia aprendido no semestre anterior. E olha que eu não era de matar aula e nem nunca repeti uma matéria sequer!!!

Isso tudo me dá tanta saudade.
Queria tanto ainda poder chegar em casa e ter com quem dividir tudo o que aconteceu no meu dia.
Queria muito chegar em casa, abrir a porta e vê-lo com o Nuno no colo.

Coisas tão simples...

Hoje mesmo, descendo no elevador ouvi a ascenssorista comentando que precisava ir embora amamentar o filho de 3 meses.
Ela dizia que no dia anterior tinha chegado tarde e o marido já havia dado a mamadeira, ela não queria que isso se repetisse.
Eu fiquei pensando como teria sido a minha vida se ainda tivesse o Germano.

Eu provavelmente não estaria naquele elevador ouvindo aquela conversa.
Eu provavelmente seria uma pessoa mais feliz.
Eu provavelmente veria o Germano não só dando mamadeiras ao Nuno com sendo um pai incrível.

Quero que meu filho saiba que o pai dele foi uma pessoa sensacional e que tudo o que ele mais queria na vida era ser pai.

Felizmente ele foi pai.
Infelizmente foi muito rápido.
Felizmente eu ainda estou aqui pra poder contar.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

RETOMANDO DE ONDE PARAMOS

Faz 10 dias que não escrevo.
Não por falta de vontade, talvez por falta de tempo e confesso que um pouco por falta de coragem.

É que no sábado dia 16 chegou ao Brasil um grande amigo meu e do Gê.
Nós o conhecemos numa viagem ao Machu Pichu, dentro do trem.
Desde então fomos a Itália visitá-lo, ele veio aqui, depois nos encontramos na Europa e sempre, sempre estávamos em contato.
Engraçado e curioso é que ele falava mal o inglês e o espanhol e o Germano nunca falou lingua alguma além do português, mas eles conversavam pelo menos uma vez por semana pelo MSN.
Esse nosso amigo gosta de viajar sozinho, é mais introspectivo do que falante mas me confessou que não consegui ficar um minuto sequer ao lado do Gê de boca fechada.
Ele fez questão de vir ao Brasil e no domingo dia 17 data em que o Nuno completou seu terceiro mês de vida fomos pela primeira vez visitar o túmulo do Gê.

Simplesmente não sei descrever o que eu senti...

No dia 18 perto da hora do almoço fomos passar uns dias no RJ, foi a primeira viagem do Nuno de avião, minha primeira viagem com mãe, nossa primeira viagem sem o papai.

Todos achavam que o meu marido era o nosso amigo italiano e assim fomos atendidos preferencialmente.
Ao invés do Gê, havia outra pessoa carregando as malas e por vezes acalmando o Nuno.

Os dias no Rio passavam voando, muitas pessoas, muitas coisas pra fazer, como se estivéssemos mesmo de férias.

Acontece que todo dia 20 sempre me remeterá ao dia 20 de janeiro de 2011.
Passei o dia tentando não falar no assunto, tentando ignorar esse maldito dia, mas não tem jeito, não teve jeito e por mais que eu não tenha demonstrado eu pensei nele o dia todo.

Aliás, não há um dia sequer que não pense nele, que não pense em nós.
Sempre, sempre que estou calada estou pensando nele, sempre que vou tomar banho, dormir ou fazer qualquer coisa sozinha estou pensando nele...

Já se passaram 3 meses e eu ainda tenho a sensação que minha vida parou e que um dia as coisas voltarão ao normal.
Mas não, não voltarão.
Eu preciso entender que vai ser sempre assim e que esse vazio nunca vai ser preenchido porque não há ninguém nesse mundo que possa ocupar essa lacuna que ficou.
Não só porque ele foi meu grande amor, mas porque era uma pessoa simplesmente SEN SA CI O NAL!!! (ele costumava usar essa palavra)

Ontem fui deixar o Massimo no aeroporto e ficamos nós 2 relembrando a data e como nos conhecemos, como foi grande nossa afinidade, como parece que fomos criados juntos, eu ele e o Gê.

Foi triste me despedir dele e voltar do aeroporto sozinha, mais uma vez chorando de raiva, de saudade, de solidão...

Hoje pela manhã abri meu email depois de dias e vi que uma amiga havia enviado um email sobre o Germano.
Passei o dia meio que tomando coragem pra lê-lo.
Apesar da curiosidade eu sabia que não ia ser fácil.
Faço questão de postá-lo aqui pra que todos saibam e pra que um dia meu filho possa ler tudo isso e conhecer um pouquinho mais a história dos pais dele...

A Liga dos Campeões: uma homenagem ao Gê.
Hoje o Real Madri venceu o Barcelona e depois de 17 anos de jejum levantou a Taça do Rei. O resultado foi de 1x0. O gol foi do Cristiano Ronaldo  na prorrogação, finalizando de cabeça.
Fuck!!
Confesso que embora tenha apreço pelos nossos “colonizers”, não curto muito o Cristiano Ronaldo como jogador e suas sombrancelhas aparadas... e aquele jeitinho de parar de mãos na cintura em frente a bola prá bater falta... Mas esse é um comentário FEMININO.
Gosto do Messi como jogador, “los hermanos”, nosso irmão argentino! Esse sim, demorou aparecer no jogo, mas quando surgiu lutou horrores, deu um puta passe irado prô Pedro, mas o árbitro deu impedimento...
Puta que pariu!
No segundo tempo o Messi de novo criou a jogada e o Cassillas defendeu... grande goleiro também.
Enfim...  parabéns prô Real Madri, tá valendo!
Que venham as próximas semanas pelas semifinais da Liga dos Campeões da Europa.
Aqui começa a minha narrativa de sentimentos...
Porque assistir a Liga dos Campeões tem uma simbologia imensa prá mim com relação ao Gê...
Em um momento da minha vida eu tive a oportunidade e felicidade plena de morar com um casal incrível de descerver: Marcelinha e Germano. Esses me abriram as portas de casa como irmãos... nunca me senti  tão acolhida e a vontade em toda a minha vida. E confesso que sou do tipo que pira em: “puta, não quero incomodar ou mudar o esquema da casa”. Cara, lá, isso nunca existiu e nem sequer passou pela minha cabeça porque eles sempre me deixaram tão a vontade que nem tive tempo prá isso.
Tempo eu tive prá sentir e viver o quão especias vocês foram em minha vida e o que sempre vão representar prá mim. Um casal independente, batalhador, batalhador, batahador, festeiros, apreciadores da vida e amantes de si. Tenho vários momentos de vocês na minha memória... um querendo receber melhor o outro por chegar do trabalho ou do cursinho mais tarde.  O Gê apoiando a Marcelinha para entrar no mestardo. O Gê me dizendo que “embora faço cursinho, o que mais me dá tesão (com um código de direito na mão ou embaixo do braço) é advogar” . Ele dizendo o quanto a Marcelinha é o amor da vida dele e como “pastou” tentando conquistá-la, e que a Marcelinha tinha uma caminhonete... enfim.
O futebol entra aqui porque eu, sendo amante do futebol europeu mais do que do brasileiro (masculino), morava lá na casa deles em uma das Ligas dos Campeões. E nesse esquema, nós (eu e Gê) combinávamos de chegar mais cedo em casa para assistirmos os jogos. Os jogos geralmente aconteciam ente 16:00 e 17:00hs, e a gente já se comunicava antes prá chegar um pouco mais cedo em  casa. Nessas, eu tinha que dar meus pulos na empresa para poder sair mais cedo...
E cara, rolava total! Eu passava na padaria e levava umas brejas geladas. E claro, o Gê já tinha levado umas brejas também. E ficávamos lá, companheiros, assistindo a Liga do Campeões. Era um evento lindo no meio da semana! Aquela desculpa de terça-feira prá tomar uma e ver um espetáculo na tv! 
Nunca soube para quem o Gê torcia no europeu. Na época, lembro dele torcendo para os melhores. Isso que era legal. Ele se levantava sempre no melhor momento de cada time. Aquela inquietação prazerosa. E assim fechavamos o dia na maior felicidade.
Tem outros momentos lindos que posso decrever sobre ele:
No chá de bebê do Nuno, ele disse para mim e para Tafinha que foi muito importante prá ele termos morado juntos porque ele tinha quebrado preconceitos. Isso prá mim foi a coisa mais linda de escutar.
E um dia, na casa de vocês ele disse como advogado e amigo: “eu faço a união estável de vcs”. Seria legal demais se ele tivesse feito!
No mais digo que a Liga do Campeões não é a mesmo sem você Gê. Tenho até deixado de ver uns jogos...
Eu precisava escrever isso tudo prá aquietar meu coração. Os jogos continuam e a vida também, seu menino é lindo, sua mulher sempre vai ser maravilhosa...
Posso ensiná-lo a andar de skate, não sei driblar, mas jogo uma bolinha básica...      
Gosto muito mais de assistir os jogos de futebol masculinos europeus do que os brasileiros. Mas esse é um comentário mais FEMINISTA!  Amo o futebol brasileiro feminino que infelizmente não tem espaço no Brasil. Odeio a alienação do futebol masculino brasileiro ...
Enfim Gê... era uma papo que eu queria continuar com você...
Te amo,
Dã.
Amo vocês!



Dani, Massimo e tantos outros amigos, muito obrigada por fazerem parte de nossas vidas, por deixarem esse fardo um pouco mais leve.