Não por falta de vontade, talvez por falta de tempo e confesso que um pouco por falta de coragem.
É que no sábado dia 16 chegou ao Brasil um grande amigo meu e do Gê.
Nós o conhecemos numa viagem ao Machu Pichu, dentro do trem.
Desde então fomos a Itália visitá-lo, ele veio aqui, depois nos encontramos na Europa e sempre, sempre estávamos em contato.
Engraçado e curioso é que ele falava mal o inglês e o espanhol e o Germano nunca falou lingua alguma além do português, mas eles conversavam pelo menos uma vez por semana pelo MSN.
Esse nosso amigo gosta de viajar sozinho, é mais introspectivo do que falante mas me confessou que não consegui ficar um minuto sequer ao lado do Gê de boca fechada.
Ele fez questão de vir ao Brasil e no domingo dia 17 data em que o Nuno completou seu terceiro mês de vida fomos pela primeira vez visitar o túmulo do Gê.
Simplesmente não sei descrever o que eu senti...
No dia 18 perto da hora do almoço fomos passar uns dias no RJ, foi a primeira viagem do Nuno de avião, minha primeira viagem com mãe, nossa primeira viagem sem o papai.
Todos achavam que o meu marido era o nosso amigo italiano e assim fomos atendidos preferencialmente.
Ao invés do Gê, havia outra pessoa carregando as malas e por vezes acalmando o Nuno.
Os dias no Rio passavam voando, muitas pessoas, muitas coisas pra fazer, como se estivéssemos mesmo de férias.
Acontece que todo dia 20 sempre me remeterá ao dia 20 de janeiro de 2011.
Passei o dia tentando não falar no assunto, tentando ignorar esse maldito dia, mas não tem jeito, não teve jeito e por mais que eu não tenha demonstrado eu pensei nele o dia todo.
Aliás, não há um dia sequer que não pense nele, que não pense em nós.
Sempre, sempre que estou calada estou pensando nele, sempre que vou tomar banho, dormir ou fazer qualquer coisa sozinha estou pensando nele...
Já se passaram 3 meses e eu ainda tenho a sensação que minha vida parou e que um dia as coisas voltarão ao normal.
Mas não, não voltarão.
Eu preciso entender que vai ser sempre assim e que esse vazio nunca vai ser preenchido porque não há ninguém nesse mundo que possa ocupar essa lacuna que ficou.
Não só porque ele foi meu grande amor, mas porque era uma pessoa simplesmente SEN SA CI O NAL!!! (ele costumava usar essa palavra)
Ontem fui deixar o Massimo no aeroporto e ficamos nós 2 relembrando a data e como nos conhecemos, como foi grande nossa afinidade, como parece que fomos criados juntos, eu ele e o Gê.
Foi triste me despedir dele e voltar do aeroporto sozinha, mais uma vez chorando de raiva, de saudade, de solidão...
Hoje pela manhã abri meu email depois de dias e vi que uma amiga havia enviado um email sobre o Germano.
Passei o dia meio que tomando coragem pra lê-lo.
Apesar da curiosidade eu sabia que não ia ser fácil.
Faço questão de postá-lo aqui pra que todos saibam e pra que um dia meu filho possa ler tudo isso e conhecer um pouquinho mais a história dos pais dele...
Amo vocês!A Liga dos Campeões: uma homenagem ao Gê.Hoje o Real Madri venceu o Barcelona e depois de 17 anos de jejum levantou a Taça do Rei. O resultado foi de 1x0. O gol foi do Cristiano Ronaldo na prorrogação, finalizando de cabeça.Fuck!!Confesso que embora tenha apreço pelos nossos “colonizers”, não curto muito o Cristiano Ronaldo como jogador e suas sombrancelhas aparadas... e aquele jeitinho de parar de mãos na cintura em frente a bola prá bater falta... Mas esse é um comentário FEMININO.Gosto do Messi como jogador, “los hermanos”, nosso irmão argentino! Esse sim, demorou aparecer no jogo, mas quando surgiu lutou horrores, deu um puta passe irado prô Pedro, mas o árbitro deu impedimento...Puta que pariu!No segundo tempo o Messi de novo criou a jogada e o Cassillas defendeu... grande goleiro também.Enfim... parabéns prô Real Madri, tá valendo!Que venham as próximas semanas pelas semifinais da Liga dos Campeões da Europa.Aqui começa a minha narrativa de sentimentos...Porque assistir a Liga dos Campeões tem uma simbologia imensa prá mim com relação ao Gê...Em um momento da minha vida eu tive a oportunidade e felicidade plena de morar com um casal incrível de descerver: Marcelinha e Germano. Esses me abriram as portas de casa como irmãos... nunca me senti tão acolhida e a vontade em toda a minha vida. E confesso que sou do tipo que pira em: “puta, não quero incomodar ou mudar o esquema da casa”. Cara, lá, isso nunca existiu e nem sequer passou pela minha cabeça porque eles sempre me deixaram tão a vontade que nem tive tempo prá isso.Tempo eu tive prá sentir e viver o quão especias vocês foram em minha vida e o que sempre vão representar prá mim. Um casal independente, batalhador, batalhador, batahador, festeiros, apreciadores da vida e amantes de si. Tenho vários momentos de vocês na minha memória... um querendo receber melhor o outro por chegar do trabalho ou do cursinho mais tarde. O Gê apoiando a Marcelinha para entrar no mestardo. O Gê me dizendo que “embora faço cursinho, o que mais me dá tesão (com um código de direito na mão ou embaixo do braço) é advogar” . Ele dizendo o quanto a Marcelinha é o amor da vida dele e como “pastou” tentando conquistá-la, e que a Marcelinha tinha uma caminhonete... enfim.O futebol entra aqui porque eu, sendo amante do futebol europeu mais do que do brasileiro (masculino), morava lá na casa deles em uma das Ligas dos Campeões. E nesse esquema, nós (eu e Gê) combinávamos de chegar mais cedo em casa para assistirmos os jogos. Os jogos geralmente aconteciam ente 16:00 e 17:00hs, e a gente já se comunicava antes prá chegar um pouco mais cedo em casa. Nessas, eu tinha que dar meus pulos na empresa para poder sair mais cedo...E cara, rolava total! Eu passava na padaria e levava umas brejas geladas. E claro, o Gê já tinha levado umas brejas também. E ficávamos lá, companheiros, assistindo a Liga do Campeões. Era um evento lindo no meio da semana! Aquela desculpa de terça-feira prá tomar uma e ver um espetáculo na tv!Nunca soube para quem o Gê torcia no europeu. Na época, lembro dele torcendo para os melhores. Isso que era legal. Ele se levantava sempre no melhor momento de cada time. Aquela inquietação prazerosa. E assim fechavamos o dia na maior felicidade.Tem outros momentos lindos que posso decrever sobre ele:No chá de bebê do Nuno, ele disse para mim e para Tafinha que foi muito importante prá ele termos morado juntos porque ele tinha quebrado preconceitos. Isso prá mim foi a coisa mais linda de escutar.E um dia, na casa de vocês ele disse como advogado e amigo: “eu faço a união estável de vcs”. Seria legal demais se ele tivesse feito!No mais digo que a Liga do Campeões não é a mesmo sem você Gê. Tenho até deixado de ver uns jogos...Eu precisava escrever isso tudo prá aquietar meu coração. Os jogos continuam e a vida também, seu menino é lindo, sua mulher sempre vai ser maravilhosa...Posso ensiná-lo a andar de skate, não sei driblar, mas jogo uma bolinha básica...Gosto muito mais de assistir os jogos de futebol masculinos europeus do que os brasileiros. Mas esse é um comentário mais FEMINISTA! Amo o futebol brasileiro feminino que infelizmente não tem espaço no Brasil. Odeio a alienação do futebol masculino brasileiro ...Enfim Gê... era uma papo que eu queria continuar com você...Te amo,Dã.
Dani, Massimo e tantos outros amigos, muito obrigada por fazerem parte de nossas vidas, por deixarem esse fardo um pouco mais leve.
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