A primeira coisa que o Germano reparava em uma mulher era a mão (pelo menos era o que ele me dizia).
Costumava falar que se a mulher não cuida das mãos não cuida de mais nada.
Gostava de esmaltes branquinhos e também da unha feita só com base.
Com o tempo passou a gostar dos vermelhos e dizia que esses eram pra mulheres casadas.
Engraçado pensar que a gente conversava até essas coisas né?
Desde que ele se foi, só na última sexta consegui mudar a cor do esmalte.
Deixei os branquinhos pra trás e optei por um rosa.
O tom vermelho ainda não tive coragem de voltar a usar...
O mesmo aconteceu com a bolsa amarela.
No meu aniversário desse ano ele ia me dar uma bolsa.
Eu escolhi o modelo e ele optou pela cor: amarela!
Dias depois dessa escolha sofremos a visita de um ladrão que levou o cordão de ouro com o meu nome e eu pedi que o Germano substituisse meu presente.
(Infelizmente ele não teve tempo de me dar o cordão)
Acabei ganhando a tal bolsa das minhas colegas de trabalho.
Passei dias, quase 2 meses tirando a bolsa diariamente do armário e pensando em trocá-la por um bege.
O amarelo era alegre demais e eu triste, não combinava com a bolsa.
Hoje já uso a bolsa amarela.
Me convenci que era a que o Germano queria que eu tivesse.
O esmalte vermelho talvez seja meu próximo passo.
São sutilezas que a gente nunca imagina que podem ocorrer.
A falta de uma pessoa muda não só o nosso dia a dia, mas também a cor da nossa vida.
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