terça-feira, 3 de maio de 2011

DE VOLTA AO TRABALHO

Essa semana voltei de fato ao trabalho.
Ontem, pela primeira vez fui ao escritório do Germano, e mais, passei a "ocupar seu lugar".
Claro que quando digo - ocupar seu lugar - não pretendo ser como ele, nem fazer com a mesma perícia tudo que ele fazia. Quero dizer apenas que assumi algumas de suas atribuições e que vou me empenhar em ser tão competente quanto ele.

Espero que um dia, quando o Nuno puder ler e compreender tudo que eu venho escrevendo, ele saiba que o Gê, apesar de muito jovem era um grande advogado.
Uma das pessoas mais inteligentes e competentes que eu já conheci.

Quando fizemos a prova da OAB, enquanto eu passava o dia todo estudando o Gê saia pro estágio.
A noite eu ia lhe contar algo que eu havia aprendido toda entusiasmada, como se tivesse feito uma grande descoberta, ele vinha e simplesmente me dava uma aula sobre o assunto, inclusive com fundamentos filosóficos!!!

Era incrível como ele se lembrava de aulas dos primeiros períodos da faculdade enquanto eu mal podia falar o que eu havia aprendido no semestre anterior. E olha que eu não era de matar aula e nem nunca repeti uma matéria sequer!!!

Isso tudo me dá tanta saudade.
Queria tanto ainda poder chegar em casa e ter com quem dividir tudo o que aconteceu no meu dia.
Queria muito chegar em casa, abrir a porta e vê-lo com o Nuno no colo.

Coisas tão simples...

Hoje mesmo, descendo no elevador ouvi a ascenssorista comentando que precisava ir embora amamentar o filho de 3 meses.
Ela dizia que no dia anterior tinha chegado tarde e o marido já havia dado a mamadeira, ela não queria que isso se repetisse.
Eu fiquei pensando como teria sido a minha vida se ainda tivesse o Germano.

Eu provavelmente não estaria naquele elevador ouvindo aquela conversa.
Eu provavelmente seria uma pessoa mais feliz.
Eu provavelmente veria o Germano não só dando mamadeiras ao Nuno com sendo um pai incrível.

Quero que meu filho saiba que o pai dele foi uma pessoa sensacional e que tudo o que ele mais queria na vida era ser pai.

Felizmente ele foi pai.
Infelizmente foi muito rápido.
Felizmente eu ainda estou aqui pra poder contar.

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