Evitei o quanto pude, posterguei ao máximo.
Infelizmente chegou a hora e o email que eu evitava abrir há tempos precisou ser impresso hoje.
Era o laudo do IML e junto com ele todos os detalhes do ocorrido.
Não vou ficar pormenorizando o que eu li porque ninguém, ninguém mesmo, merece ler ou saber de detalhes tão cruéis.
Eu mesma sei que não devia ter lido o laudo, mas e quem consegue simplesmente ignorar aquilo, impresso ali na sua mão???
Logo na primeira página a gente vê o quanto é banal e vulnerável a vida.
Nem sei explicar o que senti.
Raiva, medo, tristeza e até insegurança por viver num mundo tão cruel.
O tempo passa e a vida vai tomando novos rumos.
A ausência se instala e às vezes a gente até acha que dá pra seguir assim, manco de uma perna, com o coração partido, a ferida ainda meio aberta.
É uma saudade sem fim, uma vontade de gritar sem parar...
Um medo de ser pra sempre assim.
Que saudade da tampa da minha panela, da pessoa que me fazia sorrir todos os dias e que deu um novo rumo a minha vida.
Fico aqui assentada olhando a sua foto e não consigo acreditar que não vou mais poder te tocar, te ouvir gargalhar.
Agora você é um anjo que toma conta de mim.
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