segunda-feira, 26 de setembro de 2011

EM BRASÍLIA 10 É 9 HORAS

Não tem um dia sequer que eu não me lembre de você e da sua irreverência.
Hoje mais uma vez cá estou eu em Brasília, onde você costuma vir sempre.
Pela segunda ou terceira vez venho despachar um mandado de segurança.
Seu forte eram os mandados de segurança e você se enchia de orgulho com as liminares ganhas.

Eu que nunca pensei fazer isso hoje sigo seus trilhos, muito embora não com tanto brilhantismo.

Agora pouco me lembrei de você contar repetidas vezes que todas as manhãs seu pai ia levá-los pra escola, te dava um tapa na perna e dizia: EM BRASILIA, 10 É NOVE HORAS!!!
Sempre que saíamos pro trabalho juntos você repetia isso pra mim e eu já podia até visualizar a cena.

Sinto saudades desses momentos que, hoje percebo, eram só nossos!

Não desejo que o Nuno seja advogado como nós, mesmo sabendo que isso te mataria de orgulho, mas preciso admitir que você não era só mais um advogado, você era "o cara".
Quem te conheceu na profissão sabe o que eu estou dizendo...

Na faculdade, com cabelos encaracolados, mais parecia o louco das histórias em quadrinhos. Era assim que eu te chamava: LOUCO.
E um dia você me disse: SOU LOUCO, LOUCO POR TI !!!
Você era um louco romântico, escrevia poesias e até me trazia umas florzinhas do campo.
Tinha uma inteligência invejável.
Na vida profissional passou alguns perrengues até que te dessem liberdade pra que você mostrasse o imensidão da sua competência.

Se o Nuno quiser ser advogado, que ele seja como você!
E que o nosso pequeno seja também um louco pela vida como foi você!

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