Hoje senti vontade de mudar a disposição dos móveis da casa e assim que o Nuno dormiu eu comecei.
Virei pra cá e pra lá até encontrar uma nova posição.
A princício acho que essa seria uma tentativa de movimentar a minha vida, fazer com que tudo parecesse novo de novo, mas confesso que dentro de mim eu estava a todo o tempo me perguntando se o Germano ia gostar da localização das coisas. Como se ele se importasse...
Desde que nos casamos tudo está do mesmo jeito, no mesmo lugar e eu queria muito que ele desse seu palpite. Ainda que pra ele não fizesse a menor diferença...
Eu tento mas não consigo tomar decisões por mim mesma sem ficar imaginando o que ele pensaria de tudo.
Todas as noite, quando dou mamadeira ao Nuno, fico me perguntando como seria se nós ainda tivéssemos o Gê. O que ele pensaria, o que faria, como seria a nossa vida.
Antes de engravidar eu ficava tentando imaginar como ficaria minha barriga, como seria a sensação de ter um bebê dentro dela, depois eu queria saber como seria a carinha do Nuno e qual seria a sensação de tê-lo dormindo no meio de nós dois. Hoje fico tentando imaginar como seria se o pai dele tivesse aqui.
A única diferença entre todas essas pequenas ilusões é que as primeiras eu pude e estou podendo comprovar mas nunca saberei o que é ter o Nuno dormindo entre nós dois e nem se o Germano acordaria quando ele tivesse febre a noite.
Esses sentimentos, ou a falta deles, me matam um pouquinho a cada dia.
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