Essa semana passei pela primeira vez no local do acidente do Gê.
Simplesmente inexplicável e quase que inacreditável alguém ter morrido de maneira tão cruel.
Se antes já era difícil imaginar como tudo aconteceu agora é quase impossível.
Pra mim é um mistério e eu só posso dizer que é porque havia chegado a hora, muito embora eu nem saiba mais se acredito mesmo nisso.
Só sei que depois de todo esse pesadelo os meus finais de semana ficaram mais longos e sem cor.
Imagine que no sábado anterior a essa "fatalidade", se assim pode ser chamado, eu pedi ao Germano que ficasse em casa comigo pra que a gente pudesse domir bastante já que seria o nosso último sábado sozinhos e com tranquilidade pra descansar.
Mal sabia eu que realmente aquele seria nosso último sábado juntos...
Hoje sinto não só a falta do Germano marido que fazia questão de ser o provedor da casa.
Sinto falta de coisas tão simples e banais como poder sair pro supermercado e deixar o Nuno com o pai dele.
Sinto falta de ter alguém pra poder dizer de madrugada quando o Nuno acorda: - Vai lá, hoje é sua vez!
Sinto falta de ter com quem dividir os assuntos de trabalho, alguém que não só me entendia como me dava várias lições de sabedoria.
Queria ter certeza de que o Nuno ia ter alguém pra ensiná-lo a jogar bola e andar de bicicleta...
Queria que o Gê tivesse aqui escutando o Nuno dar seus primeiros gritos, suas primeiras garagalhadas...
Queria ele pra carregar o bebê conforto...
Enfim, queria muito o pai do meu filho bem pertinho de mim!
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