segunda-feira, 28 de março de 2011

CRUEL, MUITO CRUEL

Há algum tempo eu vinha questionando a existência de Deus, não acreditava muito nessa figura humana de perfeição.
Sei lá em que ou em quem eu estava crendo, a verdade é que eu não estava precisando de acreditar em nada.

Hoje não durmo uma noite sem antes rezar e pedir muito pra que eu consiga superar essa fase, carregar esse fardo e não enlouquecer ou desistir de lutar.
Continuo sem saber se Deus existe mas me brotou uma fé que eu mal posso explicar.

Na continuidade da vida após a morte eu sempre acreditei, ainda mais agora que isso é o que mais me conforta.
Só acho muito cruel as pessoas partirem e continuarem a nos ver sem que possam ser vistas, nos sentirem e talvez até nos tocarem, mas não poderem ser retribuídas.

É confortante ter certeza de que a vida continua em um outro lugar mas ao mesmo tempo é cruel não poder estar lá, não saber quando vamos nos reencontrar.
Entender não é o mais difícil, difícil mesmo é aceitar, superar, deixar de sofrer.

As pessoas teimam em dizer que o tempo cura.
Esquecem de dizer que o tempo também apaga as lembranças e traz a tona a saudade.

O tempo é implacável.
O mesmo tempo que cura a ferida também deixa as cores das alegrias menos vívidas.

O tempo é cruel.
Ao passo que cura a dor da perda abre a ferida da saudade e essa ainda não tem cura.

A saudade é como um câncer em metástase, se alastra por todo o corpo até que começa a ficar insuportável e mata um pouco da gente.
Sinto como se um pedaço de mim já não reagisse mais.

Cruel, é tudo muito cruel.
 

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