Na última sexta-feira, dia 20, completou um ano que você se foi.
Passei o dia tentando parecer bem, fingindo que era um dia como qualquer outro.
Evitei chorar, evitei lembrar do nosso último encontro, evitei rever sua foto que anda comigo na carteira.
Chegou um momento que não deu e eu precisei colocar pra fora.
Mais uma vez chorei de saudade, raiva, revolta...
Rezei pra que você esteja bem e pra que eu tenha força e sabedoria pra enfrentar essa luta diária.
Sinto que vivo uma eterna guerra fria.
Depois que você se foi eu passo os dias inventando coisas pra fazer.
Agora já faço planos pro futuro próximo que é pra evitar a monotonia e a solidão. Foi essa a forma que encontrei pra ver se a vida passa logo.
Fico tentando parecer uma pessoa normal e até acho que consigo.
Enquanto estou no trabalho, na rua, no supermercado, sou uma pessoa como todas as outras.
Chego em casa e diariamente revivo a dor de não tê-lo comigo, seja pra comer a minha comida, seja pra ficar com o Nuno enquanto eu vou a academia.
Sinto falta das nossas conversas diárias, dos seus muitos telefonemas ao longo do dia, enfim, das coisas mais sutis.
Já se passou um ano e eu ainda não consigo acreditar que vai ser sempre assim.
Que em mim terá sempre um enorme vazio e que nosso filho não terá o prazer de conviver com você.
Prometo que você nunca será esquecido, que darei o melhor de mim ao Nuno e que vou continuar fazendo um enorme esforço pra não abandonar tudo e me trancar em casa.
Desculpe não ter ido ao cemitério.
Eu não acho que lá seja a sua casa e por isso sou resistente.
Te amo pra sempre!
Sua Kinininha
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