terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

UM DIA DE CADA VEZ

Todas as manhãs acordo com o sentimento de que desperto de um sono profundo onde vivi algo muito triste e leva alguns instantes até que eu entenda que não foi um sonho ou um pesadelo.

Tenho vontade de não sair da cama. Só faço isso quando o Nuno reclama seu café da manhã e eu de fato preciso abrir o restaurante pra essa criança que nada tem a ver com as fraquezas de sua mãe.

Cada dia preciso me convencer novamente de tudo o que está se passando ao meu redor e me convencer de que eu vou sim ter que enfrentar essa barra.

Faço um tremendo esforço pra não sucumbir e se isso até hoje não aconteceu foi por causa desse serzinho que o Germano deixou pra mim.

Na sala de parto ele me chamou de guerreira e mal sabia eu que colocar um filho no mundo era a menor das batalhas que eu haveria de enfrentar.

Que loucura tudo isso.
Era pra eu estar comemorando a vida mas eu só consigo pensar na morte.

Quando saio de casa e vejo a vida acontecendo naturalmente tenho vontade de parar todas as pessoas e perguntar: será que vocês não percebem o que está acontecendo comigo?

É tão estranho ver o meu mundo acabado e o resto do mundo simplesmente vivendo como se nada tivesse acontecido.

Espero um dia conseguir voltar a habitar esse mundo externo que não desabou como o meu.
Não sei quanto tempo isso vai levar e nem como vou fazer pra conseguir.

A única coisa que sei é que vou ter que me reapresentar às pessoas porque já não sou mais a mesma.

Um comentário:

  1. Minha querida, como vc mesma disse se tiver impossível de viver cada dia de uma vez, tente cada hora de uma vez ou cada minuto de uma vez e conte com seus amigos que estarão ao seu lado sempre....
    O mundo pode até parecer indiferente à sua dor, mas seus amigos e parentes não estão... conte conosco....beijos da sua amiga de sempre...Joana

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